segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A Visão de um Adepto: Pelo Amor ou pela Dor

Por: Gregorio Lucio

Nós tomamos lições da Vida e evoluímos interiormente “pelo amor ou pela dor”.

“Pelo Amor ou pela Dor”. 

Esse termo é muitíssimo falado e conhecido no meio espiritualista, notadamente, tendo sua origem na cultura espírita-cristã aqui no Brasil.

Refletindo a respeito do assunto, gostaria de tecer alguns comentários a respeito dessa máxima e, também, propôr aos amigos alguns momentos de meditação a respeito, servindo-nos de um referencial um pouco mais psicológico do tema em questão.

Digo isso porque muitas vezes interpretamos esse ensinamento derivando nosso olhar para o fato de que muitas vezes nos recusamos, diante das mais variadas provações da vida, a aprendermos a lidar com elas nos utilizando das melhores “virtudes” de que podemos dispôr. Isso sempre nos leva a uma interpretação exclusivamente Moral da nossa maneira de agir ou re-agir a uma dada dificuldade (interna ou externa) e nos faz pensar em questões de “certo” ou “errado”. 

Contudo, em se tratando de uma abordagem humanística, a qual desejo compartilhar com os amigos, essa não é a maneira mais eficiente de se pensar a questão. O aspecto moral, muitas vezes, nos castra e nos conduz a um sentimento de culpa e de auto-punição por não sabermos lidar com aquilo que ainda não nos sentimos capazes ou do que ainda desconhecemos em nós. A interpretação puramente moral (muito comum nos ambientes religiosos, embora a sua validade), sempre nos limita a compreensão mais ampla acerca daquilo que envolva a realidade humana.

Entendemos, com isso, que lidar com as dificuldades servindo-nos da paciência, da tolerância, da compreensão, da disciplina, da fé e da oração, trabalhando ativamente e esperando com serenidade a resolução dos problemas, é passar pela experiência da provação e adquirir o aprendizado espiritual (amadurecimento) “pelo amor”. De outra forma, lidar com os obstáculos existenciais (sejam dificuldades externas a nós, ou nossas limitações interiores) por meio da revolta, da inconformação, da ansiedade descontrolada, do pessimismo, da agressividade, ou apelando para mecanismos doentios e externos para a fuga da realidade (cigarro, bebida, alimentação em excesso, gastos compulsivos, etc.) nos liga ao processo da “dor”, a qual advirá, sempre, mas também com a finalidade de nos trazer aprendizados, embora de maneira muito mais demorada e, invariavelmente, nos exigindo que refaçamos as lições e passemos pela prova por uma segunda vez (ou mais, até que consigamos passar por elas).

Enquanto nos demoramos, ignorando ou resistindo às necessidades de mudança na nossa maneira de olhar a nós mesmos e, consequentemente, a vida que nos cerca, colhemos os frutos, muitas vezes amargos, como pagamento da condição em que nos encontramos. Enfermidades variadas, crises financeiras, desemprego, dificuldades afetivas. Partes de sua causa (quando não, sua totalidade) estão enraizadas no desajuste e na inconsciência que detemos acerca de nossas próprias necessidades e potenciais íntimos, os quais permanecem, por longo tempo, imersos em nossa sombra psicológica.

Não quero que os amigos entendam a “sombra psicológica” como a presença do Mal, em nós. Não é isso. Embora seja verdade que todos nós, na condição de seres humanos, estamos ligados a essa dualidade existencial, carregando o Bem e o Mal em nosso íntimo. Independente se aceitamos isso ou não. Mas, a sombra psicológica não se refere a uma mera questão moral (bem ou mal). A sombra psicológica refere-se a tudo aquilo (de bom ou “não tão bom”) que permanece desconhecido ou reprimido em nós mesmos. Isso inclui conflitos, traumas, idéias ou desejos reprimidos, frustrações, lembranças desagradáveis, assim como, potenciais desconhecidos, qualidades não descobertas, faces da nossa personalidade ainda não exploradas, o nosso “vir-a-ser”.

Quando não conseguimos “jogar luz” sobre esses conteúdos que estão em nossa sombra, permanecemos ignorando-os. Entretanto, o fato de os ignorarmos não significa que eles não nos influenciam ou, até mesmo, determinam muito da nossa maneira de ser, de agir ou re-agir perante tudo aquilo que “mexe com a gente”. 

Os conteúdos psicológicos perturbadores que carregamos possuem cargas emocionais de grande força para orientar as nossas reações diante das situações e das pessoas com quem lidamos e, muitas das vezes, nos impelem na direção de adotarmos as piores entre as reações possíveis (pessimismo, tristeza, agressividade, compulsão, etc.), obscurecendo nossa capacidade de escolhermos as melhores (serenidade, compreensão, esperança, etc.). Naturalmente, essas reações são mecanismos espontâneos de “defesa” e possuem a finalidade de nos proteger do contato “direto” com faces da nossa realidade psicológica interior, perante as quais ainda nos encontramos imaturos para lidar.

E, enquanto não tornarmos esses conteúdos conscientes, trazendo-os, um a um, para o centro da nossa consciência, identificando-os, refletindo a respeito de suas origens e de que forma eles estão afetando nossa vida, eles permanecerão lá, no nosso “porão” interior, mas como forças ativas que ficam “empurrando” sem parar a nossa mente, cada vez com mais intensidade (e causando mais sofrimento). Por isso, não devemos nos olhar com repreensão e punição quando não conseguimos agir da melhor forma possível. Devemos, reconhecer nossas reações e compreender as que são “legais” e as que não nos fazem bem e, aos poucos, irmos substituindo-as por outras saudáveis. É um processo de re-educação e de auto-consciência. Sempre respeitando nossos limites, embora sem nos acomodarmos com eles (os limites). 

Mesmo os conteúdos positivos, enquanto permanecem na sombra, também causam estados perturbadores, pois eles estão, assim como os demais conteúdos psíquicos, impulsionando a sua liberação, o seu reconhecimento, mas como permanecem nessa zona obscura de nosso íntimo, eles geram estados de apreensão e de angústia, até que sejam, enfim, liberados pela consciência e possamos deles nos apropriar. Nesse ínterim, todos eles estão lá, chocando-se contra as “paredes” do nosso inconsciente, tentando subir à superfície, até o dia em que tomemos a decisão de os encarar, “iluminá-los” e diluí-los, para que sejam transformados em energias renovadoras para a nossa saúde emocional e espiritual. 

Sinceramente, não há outro caminho. Não há religião, mediunidade, caridade, apometria, trabalho espiritual, vela, passe, benzimento, banho de mar, crucifixo, patuá, descarrego, que possa resolver. Nossas crenças e nossa religiosidade são importantes e tem o papel comprovado de aliviar as tensões interiores, mas nunca o de resolvê-las. Trocar de carro, de casa, namorado(a), esposa(o), a marca do cigarro ou a dose de bebida, também não resolve. Nada. Tudo isso, embora digno de respeito, é infrutífero, possuindo resultados apenas superficiais. 

Somente quando há o esforço e a vontade de encarar a si mesmo, auto-analisar-se, e modificar o olhar sobre a sua realidade interior é que o indivíduo torna-se capaz de produzir a iluminação psicológica e espiritual. E, se sozinho não sou capaz de fazê-lo, nada mais justo que buscar apoio psicológico diretamente com um profissional, o qual pode ajudar a facilitar esse processo de auto-descoberta. Procurar um médico (do clínico geral ao psiquiatra) diante da enfermidade, sempre. Grupos de meditação (desde que sérios, como a Brahma Kumaris), de apoio terapêutico e a constelação familiar, também são válidos. Não há mal nenhum nisso. Psicólogo, analista, etc., não são “para loucos”. São, justamente, para “não ficar louco”.

O “amor ou a dor” nos levam para o amadurecimento, invariavelmente. Tudo isso porque eles são recursos que estão em nós por ação da Lei de Progresso (Lei da Evolução Espiritual), a qual se encontra “escrita” nas estruturas da nossa consciência. Não nos esqueçamos de que todas as Leis de Deus estão gravadas em nossa consciência. As Leis Divinas, em verdade, não estão em livros, em templos religiosos, em práticas formais da relação com Deus. Essas são expressões sociais, sempre respeitáveis, naturalmente, dessa relação que cada um deve, intimamente, estabelecer com o Sagrado, independente do local, da roupa, da situação ou de qualquer circunstância exterior em que estejamos. Por que, tudo que é externo nós podemos mascarar, driblar, “fazer parecer”. Mas, das Leis Divinas que estão insculpidas em nosso mundo interior, as quais nos ligam diretamente ao Divino, dessas nós não podemos fugir.

Não há destinação ou determinismo para continuarmos sendo sempre o que somos, com os mesmos hábitos, mesma conduta e a mesma maneira de nos colocarmos diante da vida. A vida nos impulsiona para, mesmo sem querermos, lidarmos com nossas facetas desajustadas afim de que as resolvamos e nos libertemos as algemas que criamos durante os períodos de inconsciência. Da mesma forma, enquanto fazemos esse processo de limpeza e reorganização interior, a Lei de Progresso nos possibilita identificar muitos traços positivos e saudáveis que também estão em nós (não são externos e nem fruto de nenhuma Graça Divina), mas até o momento não reconhecidos.

Jesus Cristo, quando afirma, em João 10:34 “Vós sois Deuses”, deixou gravado justamente que o nosso “vir-a-ser” está contido em nós mesmos. Não é o resultado de uma força externa, mas a conquista de um esforço interior que cada um deve empreender para o seu próprio amadurecimento e sua própria ascensão. Não temos como renunciar ou escapar a isso. Ninguém fará por nós. Em nenhum lugar, em nenhuma religião, com nada que seja externo a nós mesmos. Aliás, nem Ele o fez. Por isso estamos aqui, mais de 2.000 anos depois, ainda tentando acertarmos essa lição.

Que o Mestre Divino esteja conosco, sempre.

Fraternalmente.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O FLUIDO ESPIRITUAL

Segue um pequeno estudo feito por mim, sobre dois capítulos da obra “A Terapia pelos Passes”, de autoria do Projeto Manoel Philomeno de Miranda, cujos títulos são “Fluidos” e “Mediunidade Curadora e Cirurgias Espirituais”. 

Como nossos trabalhos espirituais estão diretamente ligados a manipulação e o direcionamento destas “energias”, seja pela corrente de médiuns, seja pelos Guias espirituais, acredito ser de valia para que tenhamos uma noção básica a respeito. 

Fraternalmente, 

Gregorio 



FLUIDOS 


Lembramos que Jesus Cristo, embora tivesse curado muitos daqueles que O buscavam, libertando-os de enfermidades do corpo, da mente e da alma, teve oportunidade de dizer que não viera para curar corpos e sim almas, deixando implicitamente explicado que os sofrimentos humanos têm as suas raízes no cerne do espírito imortal. Dentro da interpretação espiritual, devemos considerar, antes de tudo, que a origem das desarmonias, de qualquer espécie, permanecem ligadas à imperfeição do Espírito, das quais este ainda irá se desvincular conforme o desenrolar da sua evolução. 

O dicionarista Aurélio Buarque de Holanda, ao designar a fase não sólida da matéria, propõe a seguinte definição para o termo FLUIDO: “o que corre ou se expande à maneira de um líquido ou gás”. O Espírito André Luiz, desenvolve esse conceito, aperfeiçoando-o, ao associar o termo fluido aos corpos “cujas moléculas cedem invariavelmente à mínima pressão, movendo-se entre si quando retidas por um agente de contenção ou separando-se quando entregues a si mesmas”. 

Quando, no século XIX (19), cientistas como William Crookes, Roentgen e Marie Cure desvendaram o mundo dos raios, ondas e vibrações, contribuíram para que os homens passassem a considerar o Universo em que matéria e energia não passariam de estágios ou estados de uma só realidade, a expressar-se em diferentes campos energéticos, substâncias e corpos projetados no espaço infinito. A matéria, portanto, passa a ser entendida como possuindo mais estados de existência, e não somente os 3 já conhecidos (sólido, líquido e gasoso). 

Segundo os Espíritos Superiores, podemos entender os fluidos como: “tudo o que se relaciona com a matéria, da mais grosseira à mais diáfana (translúcida), incluindo-se neste contexto estados que ignoramos, uma vez que ela pode ser tão etérea e sutil que nenhuma impressão nos cause aos sentidos e susceptível de combinar-se ao fluido universal, sob a ação do espírito, para produzir uma infinita variedade de coisas de que apenas conhecemos uma parte mínima”. 

Léon Denis (lê-se León Dení) nos diz que essa matéria tornada imponderável, à medida que se rarefaz, adquire novas propriedades e uma capacidade de irradiação sempre crescente; torna-se, portanto, uma das formas de energia. 

O homem, na sua condição de Espírito encarnado, formado por espírito – períspirito (corpo espiritual) – corpo físico, influencia e é influenciado de modo incessante, pois vivemos em um Universo onde tudo e todos interagem. Nos afinizamos com pessoas e coisas, pensamentos e substâncias, variando a cada fase evolutiva em que nos encontramos. Por isso, nós estamos o tempo todo registrando com mais intensidade o campo de energias daqueles seres de que mais precisamos para evoluir (principalmente, aqueles a que estamos ligados afetivamente). 

Recebemos elementos sutis, os quais nos penetram por meio de nosso corpo espiritual. Tais elementos, fixam-se por mais ou menos tempo no campo enérgico do corpo espiritual e é assimilado por esse. Estes elementos podem ser equilibrantes e de progresso, ou fonte de estagnação e desordem, a depender da afinidade que estabelecemos pelo nosso padrão psíquico e mental. 

Tão importante quanto o que se recebe, também é o que se produz e se doa. Quando o Espírito (encarnado ou desencarnado) se manifesta (pensando, agindo ou simplesmente existindo), todas as suas potências vibram, fazendo vibrar, por sua vez, o fluido cósmico universal (o princípio elementar do Universo), imprimindo neste alterações que lhe dão aspecto (forma, cor, odor), movimento e direção. Essa variação específica que o Fluido Cósmico Universal assume, por AÇÃO DOS SERES INTELIGENTES, chamamos de FLUIDOS ESPIRITUAIS. 

Não apenas os Espíritos projetam irradiações. Todos os seres animados e inanimados irradiam energias não-físicas, podendo igualmente assimilá-las. Daí a expressão “magnetismo”, como a lembrar-nos da ação da Lei de Sintonia e Afinidade, a qual faz todos os seres, do ponto de vista espiritual, se comportarem como IMÃS. 

Separamos algumas considerações que parecem de relevância para que todo o DOADOR DE ENERGIAS (médiuns de trabalho ou não), tenha em mente ao longo da sua tarefa socorrista, as quais se seguem. 

Os FLUIDOS formam a “atmosfera psíquica” dos seres conscientes, fornecendo elementos com os quais operam pela FORÇA DO PENSAMENTO E DA VONTADE. Nessa atmosfera fluídica que envolve todos os espíritos (encarnados e desencarnados) formam-se os fenômenos perceptíveis para o espírito e não percebidos pelos sentidos materiais (visão, olfato, audição, tato). Nessa atmosfera fluídica é que se forma a Luz Espiritual que envolve cada Espírito (novamente, encarnado ou desencarnado). Ela é o veículo do pensamento do Espírito, assim como o ar é o veículo para a propagação do som. 

Os ESPÍRITOS AGEM SOBRE OS FLUIDOS ESPIRITUAIS, não os manipulando como os homens manipulam os gases, mas com o auxílio do pensamento e da vontade. O PENSAMENTO E A VONTADE SÃO, PARA OS ESPÍRITOS, AQUILO QUE A MÃO É PARA O HOMEM. 

Pelo PENSAMENTO os Espíritos imprimem aos FLUIDOS ESPIRITUAIS um direcionamento, uma aplicação. Eles os aglomeram, os combinam, os dispersam; formam, com esses materiais, conjuntos que tenham uma aparência, uma forma, uma cor determinada. Modificam, enfim, a propriedade destes fluidos, assim com um químico manipula determinados gases ou outros corpos, servindo-se de determinadas leis. 

A ação dos espíritos sobre os fluidos espirituais tem consequências de importância direta e capital para os encarnados. Uma vez que os fluidos são o veículo do pensamento, este [o pensamento] consegue lhes alterar a qualidade, impregnando-os de elementos bons ou maus, que se irradiam dos próprios pensamentos e os fazem vibrar, modificados pela pureza dos sentimentos. Dessa forma, os maus pensamentos contaminam os fluidos espirituais, corrompendo-os. Por isso, os fluidos que rodeiam os maus espíritos, ou os que eles projetam, são viciados, enquanto aqueles fluidos que recebem a influência dos bons espíritos são tão puros quanto o permitem o grau de perfeição moral destes Guias e Protetores. 

Lembro que as transformações nessa “atmosfera fluídica” que nos envolve a todos, ocorrem a todo o instante, conscientemente ou inconscientemente. 

Sob o ponto de vista moral, esses fluidos podem trazer registradas as marcas dos sentimentos de ódio, inveja, rancor, ciúme, orgulho, revolta...da mesma forma como de bondade, amor, caridade, doçura, serenidade, etc. Do ponto de vista físico (sensação que podemos sentir), eles podem ser irritantes, calmantes, excitantes (no sentido de estimulantes), dulcificantes, tóxicos, reparadores, etc.. 

Um fator importante para compreendermos o mecanismo do tratamento espiritual pela doação dos fluidos é que devemos nos lembrar de que NOSSO CORPO ESPIRITUAL (PERÍSPIRITO) É FORMADO PELOS FLUIDOS ESPIRITUAIS. Ou seja, nosso corpo espiritual possui A MESMA NATUREZA que os FLUIDOS ESPIRITUAIS de que nos valemos no trabalho socorrista. 

De acordo com as características próprias de cada indivíduo, ao longo da sua encarnação, em decorrência dos atos praticados ao longo da vida (se bons ou maus), esse corpo espiritual vai tornando-se mais sutil ou mais denso. 

Em vista dessa realidade, existe uma facilidade de assimilação de fluidos por parte dos encarnados à semelhança da esponja quando se embebe de líquido. 

Os fluidos se atraem ou se repelem, de acordo com sua natureza. Por isso, a incompatibilidade entre os bons e os maus fluidos. 

Os fluidos agem sobre o corpo espiritual e este, por sua vez, reage sobre o organismo material com o qual está em contato, interligado por cada molécula. Se os seus eflúvios forem de boa natureza, o corpo recebe uma impressão benéfica e saudável; se forem maus, a impressão é penosa, causando sofrimento. Se os fluidos maus fixarem-se por longo tempo sobre o corpo espiritual do indivíduo, poderão desencadear doenças físicas. 

A doação e aplicação de FLUIDOS ESPIRITUAIS SALUTARES, realizadas nos trabalhos socorristas (de cura ou de assistência espiritual), obtém resultados admiráveis, quando a força fluídica, aplicada ao indivíduo enfermo ou desarmonizado, caracteriza-se pela ABUNDÂNCIA, QUALIDADE E INTENSIDADE de fluidos provenientes de um (ou mais) DOADORES PORTADORES DE BONS SENTIMENTOS E AJUDADOS POR ENTIDADES ESPIRITUAIS BENFAZEJAS. 

Também não podemos deixar de citar a ÁGUA com seu potencial catalizador dos FLUIDOS ESPIRITUAIS. A ÁGUA FLUIDIFICADA, ao ser ministrado ao enfermo ou qualquer um necessitado, libera no organismo espiritual deste a energia irradiante que nela foi projetada, funcionando, a semelhança de um remédio homeopático, estimulando os núcleos vitais do organismo de onde procedem os elementos produtores e regeneradores das células físicas. 

O mecanismo que envolve o médium (doador) e o Guia Espiritual que o ampara no tratamento espiritual, ocorre de duas formas. Na primeira, o Espírito Mentor derrama sobre o médium os seus fluidos espirituais salutares e benéficos, potencializando os fluidos espirituais do médium, para que sejam repassados ao ser necessitado que está sendo auxiliado. Na segunda, o Espírito Mentor retira do médium determinadas energias (por exemplo, o ectoplasma, que é uma irradiação diretamente ligada ao organismo físico do médium) para manipulá-la e aplicá-la sobre o enfermo. 

No entanto, para que haja as condições necessárias para o sucesso no atendimento socorrista (ABUNDÂNCIA DE FLUIDOS, QUALIDADE DOS FLUIDOS E INTENSIDADE DOS FLUIDOS, conforme já citamos), 2 fatores a serem seguidos pelos médiuns, são primordiais: 

  1. QUALIDADES MORAIS: É necessária a moralidade de conduta para sintonizar com os Benfeitores Espirituais e agregar em seu campo mediúnico a maior quantidade possível de fluidos benéficos sem deturpá-los ou corrompê-los. Um vaso impuro contamina a substância que por ele passa. 
  2. PASSIVIDADE: Passividade aqui deve ser entendida como EDUCAÇÃO MEDIÚNICA. O controle dos automatismos, para que as expressões do médium não desfigurem e interfiram no trabalho a ser desenvolvido, uma vez que sua disciplina deve ser tal que esse possa colaborar não só na doação e na irradiação dos fluidos espirituais, mas também na dispersão dos acúmulos nocivos que são retirados dos assistidos dentro do ambiente de trabalhos socorristas. 
Finalizando, quero expressar que a tarefa de auxílio e socorro, realizada pelas Casas que objetivam amparar a todos os que lhes batem às portas, enseja a oportunidade de concretizar o ensino evangélico do “amai-vos uns aos outros” e aquela outra recomendação quanto à tarefa básica dos cristãos “curai...”, “ressuscitai...”, “purificai...”, conforme os apontamentos de Mateus, no seu Evangelho, capítulo 10, versículo 8. É por esse compromisso que os “Espíritos do Senhor” são atraídos para os nossos templos de luz para, juntamente com os homens, levarem adiante o plano de libertação da Terra das sombras do mal, pela ação da caridade. 

Que Jesus esteja conosco hoje e sempre! 

Fraternalmente 

A Visão de um Adepto: O Processo de Ensino-Aprendizagem na Umbanda

Por: Gregorio Lucio

Pensando a respeito do processo de ensino-aprendizagem, na cultura umbandista, gostaria de compor algumas linhas sobre o tema.

Diferentemente de um fato que ocorria no meio umbandista até poucas décadas atrás (até a década de 90), em que pouquíssima coisa havia sido registrada e transmitida utilizando-se do recurso do livro e, posteriormente, da internet, hoje, vemos uma grande proliferação de obras literárias (acadêmicas ou não) tratando especificamente da Umbanda, sem contar outras falando das demais religiões pertencentes à cultura afro-brasileira, assim como uma grande diversidade de sites e blogs na internet, nos quais também existem conteúdos e informações (embora muitas vezes repetidos ou plagiados) a respeito deste universo religioso.

Não pretendo julgar a validade ou a qualidade do conteúdo presente nestes livros ou na internet, pois, naturalmente, existem aqueles de valor considerável e aqueloutros que, de fato, não merecem nenhuma consideração, tamanha a pobreza de idéias, a quantidade de conceitos equivocados, visões de mundo distorcidas, etc. 

E nem preciso ir muito longe. Pegando um autor famoso no meio, Rubens Saraceni, cito 4 livros de sua autoria e de seu “preto-velho” Pai Benedito de Aruanda (que teria sido Dante Alighieri), "Código de Umbanda", "O Livro das Energias", "A Gênese Divina dos Orixás" e "O Código da Escrita Mágica Simbólica" (sem contar aqueles livros tratando das histórias de Exus, como o Guardião da Meia-Noite e outros).

Tais obras contém uma infinidade de erros, omissões, prolixidades e falhas de informação no que se refere:
  • História das religiões: dizer que o Judaísmo é a religião mais antiga do mundo, quando qualquer pessoa que tenha feito até o ensino médio sabe, ou deveria saber, que a religião mais antiga da humanidade hoje é o Hinduísmo; 
  • Falhas em conceitos sobre mediunidade: 1º o autor diz que NINGUÉM, em nenhuma religião, filosofia ou doutrina espiritual, jamais tinha tratado do campo vibratório do médium...acho que ele nunca leu André Luiz, que desde 1940 fala disso, sem contar Matta e Silva, escritor Umbandista, que já desde 1959 escrevera a respeito deste assunto. 2º ele afirma que os médiuns na Umbanda trabalham, em determinadas linhas, incorporados com seres de natureza “extra”-humana, como elementais e outros, pertencentes a dimensões distintas do plano espiritual humano. Outro erro crasso, porque o mecanismo mediúnico ocorre pela ligação mental entre seres de mesma natureza. Naturalmente, os seres que estão envolvidos no mecanismo mediúnico podem ser mais ou menos evoluídos uns que os outros, mas jamais pertencentes a naturezas diferentes; 
  • Erros científicos clamorosos: só pra citar alguns básicos, afirmar que a partícula nêutron tem carga positiva..ou, que “a noite as plantas absorvem gás carbônico e liberam oxigênio durante o dia”, ou ainda que “nosso ar é uma combinação de vários gases no qual predomina o oxigênio”...
Tudo isso contido em obras que se dizem de Teologia e Doutrina de Umbanda...já pensou uma pessoa que não é da Umbanda, mas tem conhecimento, e pega esses livros pra ler? O que ela vai pensar da nossa religião...

Estou citando esses “pequenos” exemplos de erros deste autor, não porque eu tenha nada contra ele, absolutamente. Somente porque ele figura entre os mais famosos no meio. Outros, que nem são famosos então...é de chorar.

Bom, isso a parte...quero enfatizar que o processo de ensino-aprendizagem na Umbanda está diretamente ligado à transmissão oral (oralitura) e a experimentação multissensorial (que não envolve somente o uso do intelecto, mas de outras funções e percepções psíquicas). Ou seja, nesta prática religiosa, o conhecimento é transferido na interação direta e pessoal entre Pai (Mãe)-de-Santo e Filho-de-Santo, a qual ocorre pelos ensinos que são ministrados durante o dia-a-dia dos trabalhos – antes, durante e após estes –, nos ritos especiais e nas atividades específicas de iniciação (as obrigações, preparações ou amacis, de acordo com o termo usado em cada casa) pelas quais os adeptos passam, ao longo do seu aprendizado mediúnico.

Ter contato com os objetos e elementos do culto. Sentir os pés descalços no chão. Ouvir o som dos cânticos e dos instrumentos. Orar em silêncio. Rezar em comunhão com o irmão de terreiro. Mãos dadas. Observar o multicolorido das roupas, fitas e velas. Sentir os aromas das ervas, das defumações e das flores do ambiente. Perceber-se em transe, tomado por uma energia fora de si-mesmo. 

Tudo isso compõe um processo de aprendizagem que envolve múltiplas sensações e percepções, ampliando a experiência psicológica e espiritual pertinente à Umbanda. Trata-se de um conhecimento experimental, de um saber-fazer que só pode ocorrer na prática e na experimentação direta e interessada nas giras, nos trabalhos espirituais de toda e qualquer natureza que se desenvolvem dentro do terreiro. Essa condição que é dada ao filho-de-santo, a de “estar presente”, é que colabora para a gradual construção de uma “compreensão intuitiva” a respeito da realidade espiritual e dos sentidos profundos que estão “velados”, ocultos, nos trabalhos espirituais.

Dessa forma, na Umbanda, a porta para o acesso ao conhecimento espiritual está em “sentir” e “viver” esta forma de religiosidade. Ou seja, a aprendizagem de maior valor para essa cultura religiosa pertence ao que vem “de dentro” do adepto e não, necessariamente, às formas externas de aquisição de conhecimento. Ao longo dos anos, a relação subjetiva, interna e particular, com as entidades espirituais e com o seu Mestre Espiritual (Pai/Mãe-de-Santo) implica em revelações que vão sendo abertas para o médium a pouco e pouco.

As ferramentas para a aquisição do Saber, na Umbanda, dentro desta perspectiva “desde de dentro” do médium são as intuições, as descobertas interiores, as revelações, a dedicação, o interesse pessoal e o dom (aqui entendido como a capacidade inata do indivíduo de captar e receber orientações diretas do mundo espiritual). Todos esses fatores remetem a compreensão de que o modo de aprender na Umbanda está ligado a uma tradição que é vivida dentro do terreiro, aprendida e repassada, principalmente por meio da memória e da oralidade. 

Falando da oralidade, quero dizer que a fluência do ensino é transmitido da “boca ao ouvido”. Da boca do Chefe de Terreiro ao ouvido do(s) médium(ns). Isso tem uma força simbólica muito grande, pois ouvir diretamente um conhecimento transmitido por aquele que tem o papel reconhecido como o de Mestre, vai muito além do que ler algo distante e descontextualizado daquela tradição na qual o médium está inserido.

Entretanto, a Umbanda não marginaliza a leitura como fonte de conhecimento. Não há uma oposição ao livro ou a leitura. O que acontece é a acomodação da cultura literária como sendo uma experiência de segundo plano, complementar, e não a experiência central para a transmissão do conhecimento. Essa experiência central, quero ressaltar, pertence ao campo da experiência pessoal e subjetiva, da transmissão oral entre Mestre e discípulo e da memória conservada ao longo das gerações dentro do terreiro. 

Devemos compreender que os livros cuja temática é a Umbanda, colaboram para trazer esse universo religioso para uma dimensão menos marginalizada em nossa sociedade (pois nossa sociedade atual valoriza mais a linguagem escrita do que outras formas de linguagem). Podemos ver que atualmente há um interesse crescente por parte de historiadores, antropólogos, cientistas da religião, psicólogos entre outros pesquisadores no mundo acadêmico, em estudar a Umbanda e divulgá-la como um fenômeno religioso válido e com uma cultura rica e saudável, ao contrário do estigma que fora criado sobre a Umbanda, taxando-a como uma seita esdrúxula, repleta de crendices e práticas perigosas para a saúde psiquiátrica das pessoas.

Contudo, os livros, os blogs (inclusive esse que você lê) e os sites tratam sempre de aspectos externos, genéricos e superficiais da Umbanda. Eles falam daquilo que “pode ser falado” abertamente. Por isso, o cuidado que o adepto sempre deve ter ao ler e analisar tais obras a respeito daquilo que elas trazem e ensinam, pois muitas das vezes os livros estão refletindo o pensamento próprio do seu autor dentro daquela tradição que é seguida por este e que, naturalmente, não cabem dentro da tradição que seguimos particularmente. Vale como um ponto de informação e reflexão, mas nunca como “pedra de toque”. 

Os livros (os que detém conteúdos coerentes, é claro) também nos ajudam a entender a Umbanda como um fenômeno religioso, compreendendo seu desenvolvimento histórico e social, ensejando que tenhamos uma visão crítica/analítica de nossa religião, reforçando nossa identidade cultural-religiosa e sabendo situá-la perante a sociedade em que estamos inseridos.

Assim, enfatizo que as obras umbandistas (e espiritualistas em geral) são um recurso valioso para o médium e demais adeptos, mas que têm seu lugar bem definido e delineado na prática Umbandista.

Os conhecimentos centrais e profundos só são acessados pela experiência na prática cotidiana, no “estar presente” e interessado no terreiro, e pela transmissão oral, de “boca a ouvido” entre Pai(Mãe)-de-Santo e Filho-de-Santo...entre Mestre e discípulo.

Saravá a todos!

Bibliografia Consultada:
Chaves, Kelson G.O. (2012). Umbanda: Saberes e Tradição mágico-religiosa (in. Da Minha Folha, Múltiplos Olhares Sobre as Religiões Afro-Brasileiras)

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Os Pretos-Velhos na Umbanda Branca

Por: Gregorio Lucio

Gostaria, de tratar, neste breve texto, a respeito de uma das Correntes Espirituais mais populares e ancestrais do universo religioso da Umbanda: os Pretos-Velhos. 

Os Pretos-Velhos e Pretas-Velhas constituem umas das entidades mais populares dentro da Umbanda. Embora sua devoção já tenha sido maior. Historicamente, ao estudar o desenvolvimento social da Umbanda, veremos que por volta da década de 20 e 30 do século passado (século XX), os pretos-velhos encontravam-se entre as entidades mais populares nos terreiros de umbanda. 

A partir da década de 50 e 60, com a inserção dos “novos” Guias e Mentores como elementos cultuais nos terreiros, como os Baianos (conforme já tratei em texto anterior), os quais viriam para aprofundar e desdobrar as simbologias espirituais fundantes das Leis de Umbanda (Caboclo – Boiadeiro / Preto-Velho – Baiano / Criança – Marinheiro) principalmente na região Sudeste e Sul do Brasil, sua devoção acabou sendo “dividida” com esses novos “personagens” do imaginário umbandista. No nordeste brasileiro, no entanto, a devoção aos pretos-velhos continua sendo a principal dentro dos terreiros de Umbanda.

As manifestações dos Espíritos dos Pretos-Velhos são encontradas desde o século XVIII, ainda no nordeste, nas práticas do Catimbó. Pai Joaquim, Pai José e Pai João, Vovó Maria Conga, Vovó Cambinda, são alguns dos pretos-velhos mais antigos e já conhecidos desde aquelas épocas.

Nos Terreiros que se espalham pelo Brasil, os Santos que mais são vistos como regendo as Correntes dos Pretos-Velhos são: São Cipriano, São Miguel, São Roque, São Lázaro, São Benedito, Santo Antônio e Nossa Senhora.

A apresentação como ex-escravos, de roupas batidas, ou até com os dorsos desnudos, assim como o corpo arqueado, a que muitas vezes submetem seus médiuns quando da sua incorporação, simbolizam, por meio do gesto e da postura corporal, uma mensagem de humildade, de resignação e, ao mesmo tempo, de firmeza (que pode ser percebida pelo médium, pela impressão de “força” e “peso” que são transmitidas ao longo do transe). Além disso, essas expressões traduzem o imaginário e a idealização da senilidade (velhice) como sendo o momento em que o homem atinge a compreensão da verdade da vida, do valor do desapego, da transitoriedade e da impermanência das coisas, das pessoas e de si mesmo, e da realidade da morte não como aniquilação da vida, mas como uma passagem para essa mesma vida, só que em uma outra condição.

Na Umbanda, os Pretos-Velhos representam Espíritos de envergadura moral ilibada, a qual se comprova justamente pela condição em que se expressam. A fala breve e simples, demonstram justamente uma desvinculação da sabedoria e do conhecimento da intelectualidade, mostrando-os como não sendo, necessariamente, ligados a formação intelectual. O linguajar “difícil” e informal, une-se ao recurso didático das historietas, nas quais relatam experiências de suas próprias vidas, seja no diálogo direto com o filho-de-fé, seja por meio da inspiração de seus pontos cantados, reforçando essa conotação. 

Psicologicamente, os Pretos e Pretas-Velhas traduzem e ensinam aos filhos-de-fé e, especialmente, aos seus médiuns (por meio dos conteúdos que trazem e depositam nos “registros interiores” do cavalo-de-santo ao longo do trabalho espiritual), os sentimentos e as qualidades morais de Humildade, Renúncia, Honestidade, Perdão, Resignação, Simplicidade, Paciência e Sabedoria. Desta forma, incentivam os tutelados (médiuns ou não) pela inspiração, a desenvolverem estas qualidades morais mediante as provas que vivenciam durante a sua encarnação.

A postura paternal/maternal, alternando o tom firme e enérgico, a depender da lição a ser dada ao filho-de-fé, traduzem o quanto a atuação destes Guias e Mentores está ligada à célula-mater da nossa sociedade: a família. Não à toa, por razões culturais-históricas e espirituais (a valorização, pela cultura Banto, das relações da família, o culto aos ancestrais e espíritos familiares), os Pretos-Velhos carregam consigo, em suas identificações, a designação de Pai, Mãe, Tio, Tia, Vovô e Vovó. Seus trabalhos giram muito em torno da Cura (principalmente, espiritual) e da abertura de Caminhos dos filhos-de-fé no que diz respeito às necessidades da FAMÍLIA (doenças infantis, problemas entre cônjuges, desemprego, desafios da velhice e das dificuldades de variadas ordens que atingem a família como um todo). Suas mandingas, no sentido da manipulação de forças mágicas e espirituais, com as quais tratam de problemas do corpo, da abertura de caminhos, do afastamento de influências espirituais negativas e da limpeza espiritual dos lares, são sempre voltadas para o benefício daqueles que necessitam de sua caridade.

Outro detalhe bastante interessante dentro da Umbanda, nesta relação que existe entre os Pretos-Velhos e a Linha das Almas, seria a presença, nos terreiros, de símbolos como o Cruzeiro, a Cruz e as Velas. Isso por que na Umbanda, principalmente naquelas tradições que se aproximam mais dos referenciais cristãos (como a Umbanda Branca, por exemplo), há a compreensão da evolução espiritual por meio da redenção das almas, do sacrifício provacional e da prática dos princípios do Evangelho, pelas quais estes Seres Espirituais, que hoje manifestam-se como Pretos-Velhos, teriam passado, tornado-se Almas Benditas. 

Dessa forma, o Cruzeiro simboliza a memória das almas que já desencarnaram e que se encontram em passagem para o mundo espiritual. Como um portal por onde podemos vibrar e orar por estas almas e, por meio da prece, rogarmos que obtenham a Luz (o despertar, a lucidez, a descoberta, a paz interior) nessa sua nova condição de existência. A Cruz simboliza a renúncia e a renovação interior pela aceitação e pela prática dos princípio do Evangelho de Jesus. A Vela, significa a simbolização das busca constante pela iluminação interior. Por isso, acendemos velas nos cruzeiros, ofertando-as às almas dos que se foram e a intercessão das Santas Almas Benditas, além do seu Orixá Regente que é Omulu.

Por fim, gostaria de colocar que Preto-Velho e Caboclo, na Umbanda, são místicas que guardam uma riqueza simbólica profunda dentro do imaginário Umbandista. São eles quem mentoram médiuns e coletividades inteiras. São eles, elementos fundantes desta Sagrada Religião, cujos domínios no mundo espiritual vão muito além daquilo que podemos imaginar (naturalmente, a depender do seu grau de evolução). São detentores dos segredos das Leis de Umbanda, dentre elas a Lei de Pemba, a Lei do Círculo Cruzado, o Choque de Retorno, etc. São seres que guardam consigo um alto cabedal de conhecimentos sobre a natureza humana e vastíssimas experiências sobre as coisas do mundo oculto aos homens, sobre os recursos naturais, sobre a evocação e a manipulação de “energias” e seres da natureza. 

Assim, o Preto-Velho da Umbanda (da mesma forma que os caboclos, crianças, e demais guias e mentores desta religião) não tem nada a ver com os ditos pretos-velhos que são tidos como trabalhadores em Centros Espíritas (kardecistas) ou outras denominações religiosas. Digo isso pela própria experiência que possuo em reuniões espiritistas e pelos discursos kardecistas em torno da figura destas entidades espirituais. Preto-Velho, na Umbanda, da mesmo forma que as demais entidades que compõem o seu panteão religioso, vai muito além do que uma condição na qual o Espírito se encontra por ocasião de sua última encarnação, conforme já exposto nos parágrafos anteriores. O negro e o índio não continuam sendo aqueles vassalos subjugados que vêm para “limpar e descarregar” ambientes das reuniões espíritas, protegendo pessoas e sendo “comandados” por Espíritos de “ordem superior”.

Portanto, quando dizemos que os Guias e Mentores não fazem diferença entre si, estando eles como trabalhadores em diversos locais onde seu concurso de faça necessário, não devemos com isso entender, necessariamente, que o mesmo Espírito que atua num terreiro de Umbanda também pode atuar num Centro Espírita, por exemplo. Tudo isso depende dos seus laços de afinidade com ambas as vertentes religiosas e das suas Ordens de Trabalho, as quais lhe são determinadas no mundo espiritual. Nem todos os Espíritos, embora sejam Mentores de Luz, trabalham em todos os lugares.

É importante conhecer, se inteirar, e respeitar todas as propostas de trabalho voltadas à Caridade, no entanto, sem confundí-las para não empobrecermos e esvaziarmos de sentido, essa riqueza espiritual tão profunda que existe na Umbanda, ainda velada e pouquíssimo entendida por nós mesmos, seus adeptos. 

Saravá os Pretos-Velhos!


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Os Boiadeiros na Umbanda Branca

Por: Gregorio Lucio 

Outra corrente muito atuante na Umbanda, principalmente nos terreiros localizados na região sudeste e sul do Brasil, os Boiadeiros representam uma ampliação da simbologia espiritual do Caboclo. As manifestações dessa corrente, historicamente, remontam a um período anterior aos Baianos e aos Marinheiros, pois diziam respeito, na sua expressão, ao arquétipo do homem sertanejo, o primeiro descendente da mistura do homem branco com o índio, na fusão de raças que ocorreu em nosso país.

Os Espíritos que se ligam às correntes dos Boiadeiros trazem os símbolos que representam indivíduos que quando em vida participaram da vida no campo, no trato com a terra e com o gado. Simbolizam a figura do homem rude e humilde, de mãos calejadas e caráter austero. Sabemos também que os espíritos boiadeiros dizem respeito a todos os povos das estradas, aqueles em cuja história migraram por regiões as mais diversas, enquanto consolidavam sua trajetória e estruturavam as suas bases sociais. Temos notícia destes povos desde as épocas bíblicas, conforme podemos no lembrar da história de Moisés e a peregrinação pelo deserto com todo o povo Hebreu, em busca de Canaã, a terra prometida. 

Em muitos terreiros, os Boiadeiros são entendidos como sendo regidos por Ogum e Iansã, mas há também Casas em que estes se identificam com São Benedito, São João Menino, São Cipriano, Nossa Senhora Aparecida, Santa Ana, entre outros Santos e Orixás. Existem terreiros em que a corrente dos Boiadeiros é confundida com a dos chamados Mineiros, que seriam manifestações espirituais muito parecidas. 

Uma característica muito marcante entre os Guias e Protetores pertencentes a essas correntes é que eles seriam Espíritos detentores da Doutrina espiritual. Por conta disso atuam diretamente sobre os espíritos que vagam perdidos, desorientados ou que estejam ligados à pessoas, famílias ou coletividades, causando perturbação, doenças e outras influências negativas. Também por isso, regidos pelos Mentores que atuam sobre a aplicação das Leis de Ação e Reação no Mundo Espiritual, estes trabalhadores são exímios conhecedores das demandas espirituais e se encarregam da proteção das “costas” dos médiuns, dos terreiros a que estejam vinculados, assim como de lares e coletividades inteiras. 

Podemos entender essa questão ao analisarmos as simbologias que são trazidas em seus Pontos Cantados e nas “ferramentas” (laço, chicote, berrante, espora, capote, etc.) que estas entidades expressam quando estão trabalhando na gira ou quando se fazem notar pela clarividência. O “boi”, a “boiada”, representam as situações graves, as demandas espirituais a que estes Guias estão incumbidos de suportar e dominar, exercendo total controle e comando, por ação de sua força espiritual e de sua fé irretocável. De igual forma, o “garrote perdido”, imagem muito recorrente em diversos Pontos Cantados, representa o trabalho do Boiadeiro de atuar sobre os Espíritos perdidos, obsessores, quimbandeiros, que estejam ameaçando a integridade das pessoas ou o ambiente espiritual dos trabalhos dentro do Templo umbandista, afastando-os ou exercendo domínio sobre estes, para que sejam encaminhados as zonas espirituais que lhe sejam de merecimento, o que tanto pode ser para uma Caravana de Resgate quanto para as regiões de escuridão da onde vieram, caso não estejam ainda em condições de receberem auxílio direto. 

Outras referências que estão muito presentes no imaginário que envolve e compõe a mística em torno dos Boiadeiros são os elementos da Natureza e a sua manipulação pela ação do trabalho do homem. Terra, Arado, fogueira (fogo), chuva, geada, matas, as estradas, os moinhos, representam o domínio que estes Espíritos tem na manipulação das energias naturais e o conhecimento que eles tem sobre a ação do tempo, principalmente no que se refere à Lei de Ação e Reação, a Lei do Retorno. 

As Correntes dos Boiadeiros, ao contrário do que muitos pensam, não são compostas somente por espíritos masculinos, mas também pelas Boiadeiras, expressões femininas dentro dessas Legiões de Luz. Embora sejam raríssimas as Boiadeiras, são as Amazonas, e estas também atuam trazendo sua força espiritual para junto de seus protegidos e para os templos a que estejam ligadas. Conhecem rezas fortes, e realizam evocações sublimes dos seres da natureza, conhecem benzimentos centenários e, conforme já o dissemos, possuem grande conhecimento das Leis que regem o Mundo Espiritual. 

Dessa forma, são os Boiadeiros aqueles que lidam na linha de frente nos choques com as energias maléficas que são emanadas das falanges que habitam nas Trevas. São eles quem primeiro descem às estradas desertas das regiões de dor e sofrimento para levarem auxílio e resgatar os que se arrependem e despertam de seus tormentos na dimensão espiritual. Assim como também são eles que estão encarregados de frear e deter incisivamente a ação daqueles que almejam o mal do próximo utilizando-se da violência direta ou das armadilhas sutis da maledicência, da mentira e da injúria. 

Como resultado de sua ação nas dimensões do trabalho espiritual, enquanto atraem e isolam entidades negativas, os Boiadeiros desmancham acúmulos negativos que estejam no ambiente, nos corpos dos médiuns e das pessoas na assistência, as quais tenham sido gerados pelo contato com a aura enferma destas entidades perturbadoras. 

Do ponto de vista psicológico, lembramos sempre que todas os Guias Espirituais, ao comungarem das irradiações dos pensamentos que são trocados entre eles e nós, seus médiuns, agem como impulsionadores, como motivadores do despertar de nossos próprios conteúdos positivos, que muitas vezes permanecem inconscientes, despercebidos em nós. Assim, os Boiadeiros contróem, ao longo do transe que dão a seus médiuns, ideias e imagens que despertem a Fé em Deus e na Vida como um todo, a Firmeza de Propósitos, a Clareza de Objetivos, a necessidade da Disciplina para conquistar a mudança de que necessitamos, depositando e deixando conosco a Luminescência de sua irradiação vigorosa, deixando despertos em nossa consciência os pensamentos que nos incentivem na conquista de posturas positivas de seriedade, de respeito e nobreza de caráter, cujo valor é claramente reconhecido e admirado por esses Guias da Aruanda Maior. 

Pelo seu caráter Aguerrido, sua Perseverança, sua Fé inabalável, estão sempre próximos de nós, em pensamento, nos incentivando em nossas orações, incentivando que vigiemos os nossos pensamentos e atitudes, sempre sustentando nossas rogativas de paz, amor, sabedoria e serenidade, para que estas possam chegar ao Coração de Nossa Senhora, em sua benévola intercessão junto a Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Vibremos e Oremos junto destes Irmãos da Vida Maior, sempre sabedores de que “com Boiadeiro não se brinca”. 

Jetruá Boiadeiro! 

Saravá a todos!

terça-feira, 30 de julho de 2013

A Visão de um Adepto: Do uso (ou não) da Mediunidade

Por: Gregorio Lucio 

Não praticar a mediunidade, dentro do “compromisso” assumido no mundo espiritual, acarreta doenças e desajustes espirituais? 

Outro mito muito popular no imaginário das religiões mediúnicas (notadamente o Kardecismo e a Umbanda), assim como o mito da tal “Mediunidade Inconsciente”, conforme já o tratamos em outro texto, essa questão do não uso (ou do afastamento da prática) da mediunidade gera muitas dúvidas e conflitos de ordem psicológica em tantas pessoas que, apesar de desejarem uma maior aproximação com o meio religioso kardecista ou umbandista, veem-se tomadas por reticências e por resistências. Naturalmente, essa compreensão - um tanto castradora, diga-se de passagem - remete a uma certa sensação ou impressão de “prisão” que vincula o indivíduo, “ad eternum”, à necessidade de “praticar a caridade” por meio da mediunidade e servindo aos “espíritos, Guias e Mentores”. 

Então, se eu não aceitar para mim a prática mediúnica, eu terei problemas na minha vida? Ou, se após eu ter aceito a mediunidade, desejar, por circunstâncias as mais diversas (desencanto com a religião, mudança de religião, ir morar no exterior onde não há terreiros e centros espíritas, motivos profissionais, de saúde, familiares, etc.) afastar-me, mesmo que temporariamente, eu terei problemas? Minha vida vai “andar pra trás”? 

Absolutamente, não. 

Até por que precisamos pensar seguindo uma linha de coerência, não é? 

Como é que podemos dizer que o trabalho mediúnico é voltado para a tarefa de promover a Caridade, o Amor ao Próximo, o Bem Maior, o Consolo, a Esperança, a Orientação Saudável e Desinteressada, etc...e estarmos, nós mesmos, que nos dedicamos a esse “trabalho”, presos a algemas das quais não podemos nos libertar? Será que Espíritos de Luz, Mensageiros da Paz e do Amor, nos querem presos a eles, como escravos algemados a um “contrato assinado” em um momento que sequer podemos nos lembrar pois segundo dizem, seriam compromissos assumidos antes de reencarnarmos? 

Estarmos ligados a tarefa da Caridade significa participarmos e compartilharmos ativamente da prática dos princípios do Evangelho do Cristo. É “estarmos em Cristo”, conforme Ele mesmo houvera dito. E, então, estar em Cristo é estar preso, amarrado e destinado a sofrer, caso eu deseje outra coisa para a minha vida? Claro que não. 

Todos esses mitos surgiram no passado cada vez mais distante, em que havia muito pouco conhecimento acerca da Mediunidade, dos seus efeitos, dos proveitos que dela podemos usufruir, não só para contribuir com a ajuda ao próximo, mas também para nosso próprio benefício, em vista de como o exercício da mediunidade e da prática religiosa pode influir saudavelmente em nosso organismo físico e em nosso estado psicológico. Já existem vários estudos, inclusive, realizados por universidades do Brasil e do Exterior a respeito dos benefícios da prática mediúnica. 

Acredito que tudo evolui. Aquilo que no passado se encontrava na sombra da crendice, pela limitação do próprio conhecimento dos homens, vem, aos poucos, se iluminando, se esclarecendo, devido a evolução do conhecimento a respeito das questões espirituais. Isso ocorre tanto da parte do homens que passaram a estudar esses temas, mas também por parte dos próprios Mentores que trazem conhecimentos novos e elucidativos a respeito da mediunidade. 

Devemos entender que a Mediunidade não é um “dom”, assim como também não é um “estigma”. Não é uma graça que nos deixa melhor do que os outros, nem uma punição que nos rebaixa a condição de escravos do mundo espiritual. 

Portanto, devemos passar a compreender que a Mediunidade é uma Faculdade Mental. É um recurso extremamente valioso que temos à nossa disposição para ampliarmos, por meio da sua prática consciente e bem orientada, o nosso discernimento a respeito de nós mesmos, nosso auto-conhecimento, e também ampliarmos nossa visão a respeito da Vida e da realidade que nos cerca. Serve para deixarmos de olhar somente para nós mesmos, e passarmos a reconhecer os outros, as dores dos outros, as aflições dos outros, as doenças dos outros, as limitações dos outros e verificarmos que, assim como nós, existem outras pessoas que também sofrem, têm dúvidas, conflitos, limitações e que devemos nos ajudar, mutuamente, para que consigamos passar por nossas provas. A mediunidade nos ajuda a entendermos o quanto ligados e dependentes (não escravos) uns dos outros nós somos. 

Até por que nós só podemos ter uma atitude verdadeira de compaixão, caritativa, de companheirismo, etc., quando nos reconhecemos exatamente na mesma condição que os outros. Se nos julgamos acima, por que “somos médiuns”, nossa atitude será de orgulho somente ou, no mínimo, de indiferença. 

Outra Faculdade Mental que tem os mesmos efeitos que a Mediunidade, no que se refere ao auto-conhecimento, discernimento das conexões que temos com a vida, etc., é a Meditação. 

Então, a Mediunidade é um recurso que nos está à disposição para utilizarmos, caso seja de nossa escolha. Mas, e se eu não quiser me servir da Mediunidade? 

Bom, primeiro precisa se considerar o seguinte ponto. Você sente sinais da mediunidade em você? Já teve visões, sensações características, ouviu algo incomum, pressentiu acontecimentos, se sentiu doando energias para alguém ou algo do tipo, já se sentiu com a personalidade alterada? já foi, de fato, tomado para um impulso de comportamento alheio à sua vontade? Se já, com que frequência? Por que, também tem isso, muita gente acha que é médium por que alguém falou que ela era médium...mas a pessoa nunca sentiu nem um arrepio que fosse, nem de frio... 

Se a pessoa não utiliza o recurso da mediunidade, ocorre da mesma forma que uma pessoa que tem audição normal e coordenação motora adequada, mas que não se interessa por aprender música, por exemplo. Ela continua ouvindo e conseguindo controlar seus braços, mãos, pernas, sua voz, etc. Mas ela não é capaz de tocar um instrumento musical, de ouvir uma música e conseguir distinguir o som próprio de cada instrumento, não é capaz de perceber se o cantor desafinou, se tem um instrumento fora de compasso, etc. Ou seja, ela tem uma percepção mais ou menos limitada em relação a música. Ela entra em contato com a música, mas sua percepção fica limitada. Ela pode até ficar com dor de cabeça por causa da música que ela está ouvindo, mas como não aprimorou sua sensibilidade, ela não sabe dizer ao certo por que está com dor de cabeça ou porque quando ouve aquela música se sente mais leve, mais feliz, mais serena, etc. Da mesma forma, se ela não aprimora sua sensibilidade espiritual, por meio do exercício mediúnico, ela entra em contato com o mundo espiritual (por que nós nos encontramos envoltos pela realidade espiritual), sente a sua influência, positiva ou negativa, mas também não é capaz de distinguir aquilo que a está fazendo bem ou não. Ela entra num ambiente, se sente mal, mas não sabe dizer o porquê. Ela fala com uma pessoa, se sente bem, mas não sabe identificar, etc.. 

Há uma outra situação que é a de quando a pessoa tem uma sensibilidade já aguçada, seja porque ela floresceu na pessoa em dada fase da vida, ou por que a pessoa já vem exercitando a mediunidade e aí, por diversas situações possíveis, ela deseja se afastar desta prática. 

Nesse contexto, precisamos compreender que a mediunidade funciona em nós como algo dinâmico e pulsante. A mediunidade movimenta nossos conteúdos psicológicos, aguça nossa sensibilidade, amplia nossas percepções. É como uma correnteza que flui com intensidade e que precisa ser canalizada, caso a pessoa se decida a mudar de rumo. Dessa forma, é muito comum a pessoa com uma sensibilidade espiritual, mas fora da prática mediúnica, destinar suas energias para a área das artes, da pintura, da poesia, da música, da atividade esportiva, da medicina, da educação, da psicologia, da ação solidária, da Meditação, da Yoga, do Tai Chi, do Johrei, etc. 

Da mesma forma, quando transferem-se de religião, as pessoas podem aplicar a sua sensibilidade em atividades pertinentes que são executadas neste novo ambiente em que passam a frequentar. Participam de corais, de grupos de oração, de grupos de meditação, grupos de novenas, etc. A sensibilidade da pessoa irá encontrar uma forma de se expressar, mas, naturalmente, o canal mediúnico irá se “fechando”, pois é como se, podendo enxergar, a pessoa não o quisesse e insistisse em manter seus olhos vendados. Ou, podendo movimentar um braço, ela o amarrasse. Aos poucos, começa a ocorrer a anulação daquela função já adquirida, entretanto, no caso da mediunidade, sem o prejuízo para o organismo, conforme aconteceria com uma pessoa que se cegasse ou atrofiasse um braço. 

Quando tratamos do termo “compromisso mediúnico”, precisamos compreendê-lo como uma escolha consciente, tomada após um processo de amadurecimento da pessoa, a qual se decide por seguir um caminho de busca espiritual. E, naturalmente, como qualquer compromisso que assumimos, hoje, agora, nesta vida, conscientemente, nós não podemos simplesmente “virar as costas” quando mudamos de ideia, nos arrependemos, ou o desejamos, seja por qual motivo for. Mas isso não é um problema da mediunidade. É um problema da Vida. O que vai imperar nesse caso é a Lei da Consciência. As Leis de Deus estão inscritas na Consciência de cada um. Por mais que a pessoa tente disfarçar, lá no fundo tem uma “voz” que a lembra das escolhas que fez. 

Nós podemos simplesmente virar as costas para o nosso trabalho profissional e ir embora, por mais descontentes que estejamos? 

Nós podemos simplesmente virar as costas para a nossa família e “sair andando”, como se as pessoas que estão em nosso lar não fossem nada? 

Nós podemos abandonar um companheiro, um amigo, um(a) namorado(a), após termos nos vinculado a eles sem maiores comprometimentos? 

Nós podemos simplesmente virar as costas para a religião que escolhemos seguir, sem nos achar compromissados com nada nem ninguém? 

Qualquer pessoa que esteja de posse da sua saúde psicológica sabe que não podemos fazer isso. A não ser pessoas que estão doentes psicologicamente é que são capazes de virar as costas para os compromissos que assumem e simplesmente abandoná-los sem a menor “dor” na consciência. 

Todo compromisso assumido gera responsabilidade. Isso é da Lei da Vida. 

Toda Responsabilidade reconhecida se instala na Consciência de todo Ser Humano. 

Assim, quando o indivíduo deseje se desvincular da mediunidade, o que ele deve, primeiramente, é saber se conduzir éticamente. Exponha o seu desejo, comunique sua vontade e peça a licença para se afastar, com maturidade, para os responsáveis pela Casa que frequenta. Tenha em mente que os maiores laços que nós construímos na Vida, são os laços humanos, e não podemos nos desfazer das pessoas como se elas não tivessem significado nenhum. Esteja aberto para ser compreendido, ou não, pois da mesma forma que você, a pessoa do outro lado também é um ser humano e nem sempre toma a melhor atitude para todas as situações. Procure não falar mal do lugar que o acolheu, tão pouco das pessoas que seguiram ao seu lado, durante o tempo em que lá permaneceu. Não tome decisões guiado pela emoção do momento. Ore, reserve para si alguns dias para refletir a respeito. Veja se são justas a suas alegações e coerentes os seus motivos. 

Digo isso porque é da Lei, pela sua própria Consciência, que a pessoa que não sabe se conduzir e rompe seus laços com violência, com maledicência, com ingratidão, com abandono, etc., seja colocada novamente diante daqueles a quem se vinculou para resgatar com harmonia e maturidade os deveres que assumiu espontaneamente. E, ao se recusar e insistir nesta postura, a própria consciência da pessoa vai colocando-a em situação de sofrimento, de angústia, por que não se permite reconhecer que não soube comandar os seus passos pelos caminhos que deveria trilhar numa experiência de felicidade e de gratidão. 

E isso, como o dissemos, não é uma consequência da mediunidade ou uma punição dos Guias e Mentores de Luz. É uma consequência que vem pela nossa própria consciência, seja em qualquer lugar ou com qualquer compromisso sério que assumimos ao longo da nossa vida. Saiba que não é o fato de mudar de religião ou desejar se desvincular da mediunidade que o fará sofrer, mas é a maneira pela qual você se conduzirá neste processo. 

Gratidão sempre! 

Que o Mestre Jesus nos abençoe!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A Visão de um Adepto: Correntes e Fraternidades Médicas

Por: Gregorio Lucio 

Complementando o artigo que publiquei ontem ( Sustentação no Trabalho Espiritual ), gostaria de desdobrar um assunto no qual toquei, referente a utilização dos pensamentos positivos que são irradiados ao longo dos trabalhos espirituais. 

Desta vez, irei focar esse texto para responder duas dúvidas muito comuns que muitas pessoas possuem: 
  • Como os Guias e Mentores de Luz tratam das pessoas necessitadas, ministram remédios e, até mesmo, “operam” enfermos? 
  • Como os Guias e Mentores de Luz fazem o tratamento de doentes (já desencarnados) e espíritos sofredores no mundo espiritual? 
Bem, primeiramente é extremamente oportuno esclarecer que o objetivo dos Mentores de Luz, dentro das correntes médicas e das Fraternidades dos Médicos do Espaço, não é o de concorrer com a medicina da Terra, tirando a sua importância. E nem é a sua tarefa principal a de propiciar a cura das doenças que acometem o corpo físico. Todo e qualquer paciente que sofre de qualquer mal, tanto orgânico quanto psicológico, deve ser orientado a buscar o tratamento clínico e terapêutico conveniente, com os profissionais adequados. 

Quando as curas do corpo material ocorrem por intermédio destes Benfeitores, isso acontece, na maioria das vezes, para que sejam postos à prova os preconceitos e o ateísmo de muitas pessoas (e do próprio doente, quando é o caso) que ainda desacreditam da existência da Vida no Mundo Espiritual e, principalmente, dos que não acreditam na Providência Divina. Os Guias e Mentores de Luz buscam, primordialmente, fortalecer espiritualmente os enfermos, direcionando recursos terapêuticos para tratar das cicatrizes no Corpo Espiritual dos pacientes, restaurar, dentro do possível, as matrizes energéticas que regulam o funcionamento do organismo espiritual e, consequentemente, diminuir o sofrimento, as dores e o desconforto no corpo físico, o qual é [o corpo físico] uma extensão direta do Espírito. 

Os Benfeitores formam e coordenam no Plano Espiritual, grandes agrupamentos de Espíritos que foram, em todas as épocas da Humanidade, ligados à prática da medicina e da cura, de uma maneira geral. Estes Seres de Luz, formam as Correntes e Fraternidades dos Médicos do Espaço. Dois de seus principais e mais conhecidos Mentores são: José de Arimatéia e Dr. Bezerra de Menezes. Junto destes, vários outros, anônimos ou não (sejam espíritos militantes das correntes kardecistas ou das correntes de umbanda) desenvolvem no Plano Espiritual um trabalho de acolhimento e tratamento de doentes, tanto encarnados quanto desencarnados. 

Meu objetivo não é o de tratar das questões de saúde-doença, neste texto, mas vale colocar que muitas pessoas conservam uma visão um tanto equivocada, de que ao desencarnar um doente liberta-se integralmente do mal que o acometia, uma vez que ocorreria a “libertação” do Espírito. Em realidade, isso é uma regra que se aplica somente àqueles enfermos que tenham a sua doença como originária de um processo de expiação (como, por exemplo, as crianças, em tenra idade, vítimas de doenças graves) e aqueles que tenham sabido se conduzir saudavelmente e com maturidade perante o seu estado doentio (sabendo lidar com suas dores, aflições e até mesmo o sentimento de inconformação e revolta por se encontrarem doentes). 

Entretanto, sabemos que muitos enfermos são vítimas de seus próprios maus hábitos e excessos, sejam de ordem material (alcoolismo, tabagismo, alimentação desregrada, narcodependência, etc.), sejam de ordem psicológica (agressividade, violência, irritabilidade, revolta, inconformação, sexolatria, etc.) os quais acabam ocasionando, direta ou indiretamente, os fatores que os predispuseram a padecer o adoecimento do seu corpo físico. Nestes casos, ao desencarnar o paciente leva consigo as “raízes” da doença, gravadas em seu corpo espiritual. Isso por que a origem do estado doentio se encontra vinculada ao estado psíquico desarmonizado do paciente, o qual, enquanto não for tratado adequadamente, continuará promovendo distúrbios (se não aqueles de que hoje padece, outros que poderão se formar). Em casos mais graves, é necessário que ocorra o expurgo da doença que desestrutura e macula o corpo espiritual, e essa somente se dá pelo processo da reencarnação, na qual o ser trará consigo um mapa genético, em partes herdado de seus pais, que estabelecerá em seu corpo material as condições para que ocorra tal “depuração” de seu corpo espiritual. Daí surgem, sob o ponto de vista espiritual, as más-formações, a anencefalia, as tumorações no período perinatal, as diversas síndromes de ordem genética e outros males congênitos. 

Por conta disso, os Mentores de Luz, sob a Misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo, formam legiões inteiras de socorro e amparo a todos nós que tanto necessitamos de suas mãos amigas e de suas irradiações luminosas, necessitados que ainda nos encontramos de vencermos a nossa própria ignorância diante da Vida e que tanto nos conduz ao sofrimento. Dando cumprimento a que ninguém seja abandonado, por mais responsável que seja pela sua própria desdita, esses Samaritanos desenvolvem suas tarefas não só dentro dos Templos de Umbanda e dos Centros Espíritas, mas também e, principalmente, dentro dos Hospitais, Clínicas, nas ruas, nas Penitenciárias, nos Asilos, enfim...em todo lugar em que haja um leito de dor ou alguém necessitado de amparo e refazimento de sua saúde física e espiritual. 

Realizam o seu trabalho, no que se refere aos enfermos da Terra, de maneira discreta e sutil, inspirando todos aqueles profissionais que se mostrem sensíveis à sua influenciação. Guiam as mãos de Cirurgiões. Trazem clareza e lucidez incomum aos seus pensamentos na hora da intervenção cirúrgica. Sustentam-nos com a sua irradiação luminosa, assim como o fazem os Espíritos Trabalhadores com seus médiuns, mantendo-os firmes em cirurgias complexas que se prolongam, às vezes por mais de 12 horas ininterruptas. Intuem e sugerem medicamentos e possibilidades de tratamento para enfermos desenganados, muitas vezes conquistando sucesso. 

De igual forma, no mundo espiritual, estes abnegados servidores transitam entre as regiões de trevas, formando Hospitais e Prontos-Socorros, montando caravanas de resgates a todos que se mostrem em condições de receber essa ajuda mais direta. Aqueles que ainda não estão nessas condições, também permanecem sob a sua vigilância e cuidados, sejam em que faixa espiritual se encontrem, somente aguardando o momento oportuno para que sejam também dali retirados. 

E, como é da Lei Divina que todos se vinculem para ajudar no Bem geral, a partir do momento em que os homens encarnados tornaram-se lúcidos o suficiente para que reconhecessem a realidade da Vida Maior e com ela pudessem trocar experiências e estabelecer contatos diretos e conscientes, foi possível a abertura das Leis de Umbanda para o plano físico, formando essa Sagrada Religião aqui em solo brasileiro, assim como a revelação do mundo dos Espíritos, vinculada pela Doutrina Espírita. Passamos, então, a contar com núcleos (centros espíritas e terreiros de umbanda) que compartilham de uma mesma compreensão a respeito destas questões que envolvem o intercâmbio com a Realidade Espiritual, embora sejam religiões completamente distintas. Por conta disso, estruturaram-se trabalhos de ordem espiritual do qual os Mentores de Luz podem extrair a matéria prima de que precisam para o cuidado com os enfermos de toda ordem. No entanto, agora essa contribuição é dada a eles de maneira consciente por parte daqueles que trabalham nestas Casas, diferentemente de antes quando extraiam as energias de que precisavam contando com muito mais dificuldade devido à ignorância de muitos encarnados. 

Segundo sabemos, tudo no mundo espiritual é influenciado e moldado pela ação da mente e do pensamento. Isso é um pouco difícil de entendermos aqui na Terra, pois para construirmos uma casa, por exemplo, precisamos de areia, cimento, tijolos, vigas, etc. Entretanto, no mundo espiritual, tudo se edifica ou se destrói pela ação da mente. Paisagens belíssimas, assim como abismos sombrios. Tudo é moldado e construído pelo comando da mente. As grandes cidades espirituais, colônias, hospitais, educandários, que estão edificados na região extra-física foram formados e são sustentados pela ação dirigida da vontade daqueles Numes Celestes que as elaboraram. 

Por isso, os Guias e Protetores insistem tanto na questão de vigiarmos os nossos pensamentos. O quanto é importante mantermos em equilíbrio as nossas expressões do pensar, pois eles veem “do lado de lá” aquilo que estamos criando em torno de nós mesmos. 

Os Mentores de Luz utilizam-se das projeções dos nossos pensamentos positivos, no Plano Astral, acumuladas no ambiente espiritual do terreiro ou da casa espírita, as quais se concentram sobre determinados pontos e locais específicos durante o transcorrer dos trabalhos, para convertê-los em essências que são utilizadas na elaboração de medicamentos, “curativos”, “emplastos”, “materiais cirúrgicos”, entre outros, para serem ministrados aos enfermos encarnados e desencarnados, quer estes estejam presentes no ambiente onde está ocorrendo o trabalho, quer estejam a quilômetros de distância dali. Assim é que o produto que é extraído como resultante dos trabalhos espirituais, atinge também Hospitais, Presídios, as ruas e lares onde existam pessoas doentes e desamparadas. 

Essas mesmas projeções, utilizadas em seu “estado bruto”, ou seja em energia radiante (“focos de luz” que cintilam intensamente no plano astral), também são utilizadas para desagregar e diluir acúmulos de energias negativas e nocivas que se encontram em diversos ambientes. 

Assim também essa energia radiante dos pensamentos é empregado no despertar de espíritos desencarnados adormecidos, ignorantes de sua condição ou embrutecidos pelo ódio e pela vingança. Uma das formas de que os Mentores se servem é a de lançar essas irradiações sobre eles envolvendo-os, e produzindo neles um estado de choque induzido, de maneira que possam retomar o contato com a realidade que os cercam e se aperceberam da nova condição em que se encontram. E para isso eles se valem das nossas irradiações, porque nós, como encarnados, nos encontramos numa faixa de vibrações mais próxima da que estes irmãos também estão (desencarnaram, mas conservam ainda muito da sua condição enquanto ainda na Terra, ou mesmo sequer perceberam que já deixaram o mundo físico). 

O processo de conversão dos pensamentos nos recursos de que os Guias e Mentores se valem é um processo bastante intrincado para a nossa compreensão. Mas o que podemos dizer, pelo que estes mesmos Mentores informam, é que isso se dá por um fenômeno chamado de Energismo. Como disse, os pensamentos são projetados no plano astral e permanecem em estado de energia radiante. Os Mentores detém o conhecimento para comandar, pela ação de suas mentes treinadas e enobrecidas, todo aquele acúmulo energético que foi formado no ambiente espiritual dos trabalhos. Eles recolhem porções do que foi produzido em recipientes, misturando-as com porções de essências extraídas da natureza (das matas, rios, mares, cachoeiras, de animais, etc.) e plasmam na dimensão espiritual medicamentos os mais variados (em estado “líquido”, “sólido”, “gasoso” ou radiante). Nossos pensamentos servem para eles, assim como a água, o plástico derretido, o metal incandescente, a argila e o concreto nos servem para as nossas criações. 

Também, todos somos orientados (e principalmente aos médiuns) a mantermos, particularmente, as nossas orações pelos enfermos e por todos os que necessitam. Isso por que, mesmo estando dentro de nossos lares, o processo é o mesmo. Quando oramos por alguém, irradiamos e projetamos essa energia radiante no plano astral, e os Guias e Benfeitores se utilizam dessa energia para aplicarem sobre qualquer um que necessite. A condução dos recursos que emanamos cabe exclusivamente aos Mentores de Luz. E o fazem aplicando esses recursos em forma de soros que são introduzidos no corpo espiritual do enfermo, impregnando determinados pontos de seu corpo com essas energias e movimentando-as dentro do organismo enfermo. Fazem o mesmo impregnando de energias salutares o local onde o enfermo se encontra, seus objetos e roupas de uso pessoal. Neste sentido, o mesmo processo ocorre com aqueles que estão desencarnados, com a diferença de que estes não possuem mais o corpo físico. 

Uma questão importante a se frisar é que ao tomar contato com as energias curativas, o organismo do enfermo registra, assimila-as e as retém conforme for de sua necessidade e condições. Por isso dissemos que o objetivo deste amparo não é o de arrancar do doente o mal, mas sim o de aliviar e promover o fortalecimento de seu corpo espiritual, principalmente, para que possa percorrer o caminho da doença, seja ela qual for, de acordo com as suas provas, podendo até, nesse ínterim, ser curado ou não, a depender de seus merecimentos e dos desígnios que somente dizem respeito a cada indivíduo e a Deus. 

Naturalmente, essas são algumas poucas formas de que as Correntes Médicas do Espaço se utilizam para trazer alivio e tratamento. Existem muitos outros recursos que seriam demasiadamente complexos para tratar neste humilde texto e, ainda, outros tantos que nos escapam completamente da possibilidade de compreensão. 

Esperamos, mais uma vez, termos contribuído um pouco com o enriquecimento dos nossos irmãos que, porventura, possam interessar-se. 

Que Nosso Mestre Jesus e as Correntes Médicas estejam sempre nos amparando em nossa jornada. 

Assim seja.