Ser médium não é simplesmente fazer-se veículo de fenômenos que transcendem a alheia compreensão.
Acima de tudo, é indispensável entendamos na faculdade mediúnica a possibilidade de servir, compreendendo-se que semelhante faculdade é característica de todas as criaturas.
Acontece, porém, que o homem espera habitualmente pelas entidades protetoras em horas de prova e sofrimento, para arremessar-se ao estudo e ao trabalho quase sempre com extremas dificuldades de aproveitamento das lições que o visitam, quando o nosso dever mais simples é o de seguir, em paz, ao encontro da Espiritualidade Superior, movimentando a nossa própria iniciativa,
no terreno firme do bem.
A própria natureza é pródiga de ensinamentos nesse particular.
A terra é médium da flor que se materializa, tanto quanto a flor é medianeira do perfume que embalsama a atmosfera.
O Sol é o médium da luz que sustenta o homem, tanto quanto o homem é o instrumento do progresso planetário.
Todos os aprendizes da fé podem converter-se em médiuns da caridade através da qual opera o Espírito de Jesus, de mil modos diferentes, em cada setor de nossa marcha evolutiva.
Ampara aos teus semelhantes e encontrarás a melhor fórmula para o seguro desenvolvimento psíquico.
Na plantação da simpatia, por intermédio de uma simples palavra, estabelecemos, em torno de nós, renovadora corrente de auxílio.
Não aguardes o toque de inteligências estranhas à tua, para que te transformes no canal da alegria e da fraternidade, a benefício dos outros e de ti mesmo.
Podes traduzir a mensagem do Senhor, onde quer que te encontres, aprendendo, amando, construindo e servindo sempre, porque acima dos médiuns dessa ou daquela entidade espiritual, desse ou daquele fenômeno que muitas vezes espantam ou comovem, sem educar e sem edificar, permanecem a consciência e o coração devotados ao Supremo Bem, através dos quais o Senhor se manifesta, estendendo para nós todos a bênção da vida melhor.
(Emmanuel, médium Francisco C. Xavier, em – Mediunidade e Sintonia)
quinta-feira, 7 de março de 2013
quarta-feira, 6 de março de 2013
Trabalho - Nosso Lugar
“Com relação ao trabalho, por base de rendimento na vida de cada pessoa, a cada passo, ouvimos no mundo afirmativas quais estas:
- Se eu tivesse a terra igual a do vizinho...
- Estimaria dispor de saúde para tarefa...
- Faltam-me forças...
- Meus nervos são frágeis demais...
- Quem sou eu para auxiliar, em favor de alguém?
- Quando eu tiver recursos suficientes...
- No dia em que me seja possível residir numa casa mais ampla...
- Não sou criatura digna para o encargo proposto...
- Conheço as minhas limitações...
- Se eu possuísse dinheiro...
- Quando a sorte chegar...
Tantas alegações descabidas indicam que milhares de companheiros desejam para si a tarefa dos outros, esquecendo o serviço que a Sabedoria da Vida lhes confiou.
Quando todos nós nos dispusermos a cumprir as próprias obrigações, sem o conformismo da inércia e sem a rebeldia da insatisfação destrutiva, estaremos todos em harmonia com as leis da Vida e do Universo, transformando o tempo em alegria e transfigurando a Terra em céu – na plenitude dos Céus”
(Emmanuel, médium Chico Xavier – em, Paz)
- Se eu tivesse a terra igual a do vizinho...
- Estimaria dispor de saúde para tarefa...
- Faltam-me forças...
- Meus nervos são frágeis demais...
- Quem sou eu para auxiliar, em favor de alguém?
- Quando eu tiver recursos suficientes...
- No dia em que me seja possível residir numa casa mais ampla...
- Não sou criatura digna para o encargo proposto...
- Conheço as minhas limitações...
- Se eu possuísse dinheiro...
- Quando a sorte chegar...
Tantas alegações descabidas indicam que milhares de companheiros desejam para si a tarefa dos outros, esquecendo o serviço que a Sabedoria da Vida lhes confiou.
Quando todos nós nos dispusermos a cumprir as próprias obrigações, sem o conformismo da inércia e sem a rebeldia da insatisfação destrutiva, estaremos todos em harmonia com as leis da Vida e do Universo, transformando o tempo em alegria e transfigurando a Terra em céu – na plenitude dos Céus”
(Emmanuel, médium Chico Xavier – em, Paz)
Pediste
Revisaste erros e acertos e, de alma confrangida no inventário das próprias culpas, suplicaste o recomeço na experiência terrestre.
Pediste o berço dorido, a fim de que os obstáculos do reinício te assinalassem os impositivos do reajuste, e achaste as provas da Infância, que te serviram de ensinamento.
Pediste a carência dilatada, suscetível de arrancar-te a descontrolada paixão pelo desperdício, e acordaste no lar infestado de lutas, que te não deixa margem a fantasias.
Pediste recursos contra a vaidade que te petrificava os sentimentos no orgulho, e detiveste a condição social torturada e difícil que te obriga a entesourar obediência e conformação.
Pediste o reencontro com as vitimas e os cúmplices das tuas ações reprováveis, de modo a resgatares clamorosos débitos contraídos, e recuperaste a companhia deles, na presença dos familiares- problemas e dos companheiros-enigmas que te compelem às disciplinas do coração.
Pediste remédio contra as inclinações infelizes que muitas vezes te situaram no desequilíbrio da emoção e da mente, e obtiveste a doença física transitória, que, pouco a pouco, te infunde as alegrias da cura espiritual.
Estudantes na escola da Terra, todos pedimos aos instrutores da vida as riquezas da educação.
Contudo, em pleno curso do necessário aperfeiçoamento, choramingamos e reclamamos, à maneira de desertores inveterados.
Desconfia de todo amigo encarnado ou desencarnado que te alimente a ilusão com vantagens e privilégios, facilidades e louvaminhas.
Professor menos responsável, que favorece capricho e cola, a pretexto de amor, apenas consegue rebaixar o aprendiz e estragar a lição.
(Emmanuel/Chico Xavier - Seara dos Médiuns)
Verbo e Caminho
“Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro do Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido”. – Apóstolo Paulo ( I Timóteo, 4:6)
É necessário estudar o poder do verbo e jamais abusar dele. Mobilizá-lo para estabelecer condições de saúde e equilíbrio, paz e alegria, onde estivermos. Compreendê-lo e acatá-lo para saber que a verdade, na correção do Espírito, deve ser empregada como a radioterapia na cura física, dentro da cautela aconselhável, sem que nos caiba o direito de inclinar-lhe as aplicações para o terreno da leviandade ou da malícia. Usá-lo para auxiliar e abençoar, levantar e instruir.
Falar é gravar.
Gravar é criar.
Acatemos as necessidades e os interesses dos outros, no campo dos recursos verbalistas.
Somos obviamente, responsáveis pelos bens materiais de que nos apropriemos indébitamente. Outro tanto acontece, quando dilapidamos fé e otimismo, esperança e coragem nos corações alheios.
A idéia é uma força criadora e nossas palavras aderem a ela, construindo sentimentos, sugestões, formas e coisas.
Conversemos para melhorar.
Utilizemos a frase por agente de elevação.
Estejamos convencidos de que as palavras que nos escapam da boca ou da escrita assemelham-se, de maneira simbólica, ao ferro gusa; após escorrerem do forno de nossa mente, solidificam-se nos trilhos bons ou maus, sobre os quais o comboio de nossa existência estará no caminho.
(Emmanuel, página recebido por Chico Xavier)
É necessário estudar o poder do verbo e jamais abusar dele. Mobilizá-lo para estabelecer condições de saúde e equilíbrio, paz e alegria, onde estivermos. Compreendê-lo e acatá-lo para saber que a verdade, na correção do Espírito, deve ser empregada como a radioterapia na cura física, dentro da cautela aconselhável, sem que nos caiba o direito de inclinar-lhe as aplicações para o terreno da leviandade ou da malícia. Usá-lo para auxiliar e abençoar, levantar e instruir.
Falar é gravar.
Gravar é criar.
Acatemos as necessidades e os interesses dos outros, no campo dos recursos verbalistas.
Somos obviamente, responsáveis pelos bens materiais de que nos apropriemos indébitamente. Outro tanto acontece, quando dilapidamos fé e otimismo, esperança e coragem nos corações alheios.
A idéia é uma força criadora e nossas palavras aderem a ela, construindo sentimentos, sugestões, formas e coisas.
Conversemos para melhorar.
Utilizemos a frase por agente de elevação.
Estejamos convencidos de que as palavras que nos escapam da boca ou da escrita assemelham-se, de maneira simbólica, ao ferro gusa; após escorrerem do forno de nossa mente, solidificam-se nos trilhos bons ou maus, sobre os quais o comboio de nossa existência estará no caminho.
(Emmanuel, página recebido por Chico Xavier)
De Servidor para Servidor
"Nunca te permitas o vazio da tristeza inútil na caminhada do Bem.
Não te fixes nos empeços da senda.
Reflete nas bençãos recebidas.
Rememora os obstáculos que passaram e pensa nas alegrias que o trabalho te concede.
Acordaste cedo para a luta pela própria sobrevivência e, bastas vezes, acompanhaste os amigos nas tribulações com que se viram defrontados, partilhando-lhes a dor.
O trabalho, porém, te estendeu apoio, em todas as crises trazendo-te amigos outros que te podaram as inquietações e te restituiram as forças dilapidadas para que não desfalecesses.
Oraste nos momentos difíceis, suplicando o amparo da Vida Maior e, através do trabalho, braços devotados se te fizeram canais de apoio, sustentando-te os passos, ao longo do caminho.
Nunca te rendas à tentação do repouso desnecessário e nem te aconselhes com o desalento, de vez que, em tuas áreas de serviço, encontras sempre tudo aquilo de que mais necessitas, a fim de seguir adiante.
Honra os encargos que te honram e, sobretudo, agradece ao trabalho tudo aquilo que, um dia, possas ter ou ser de melhor, porquanto é no trabalho do bem aos semelhantes que terás, em qualquer tempo, o teu mais seguro endereço para o socorro de Deus”.
(Emmanuel, médium Chico Xavier – em, Confia e Segue)
Não te fixes nos empeços da senda.
Reflete nas bençãos recebidas.
Rememora os obstáculos que passaram e pensa nas alegrias que o trabalho te concede.
Acordaste cedo para a luta pela própria sobrevivência e, bastas vezes, acompanhaste os amigos nas tribulações com que se viram defrontados, partilhando-lhes a dor.
O trabalho, porém, te estendeu apoio, em todas as crises trazendo-te amigos outros que te podaram as inquietações e te restituiram as forças dilapidadas para que não desfalecesses.
Oraste nos momentos difíceis, suplicando o amparo da Vida Maior e, através do trabalho, braços devotados se te fizeram canais de apoio, sustentando-te os passos, ao longo do caminho.
Nunca te rendas à tentação do repouso desnecessário e nem te aconselhes com o desalento, de vez que, em tuas áreas de serviço, encontras sempre tudo aquilo de que mais necessitas, a fim de seguir adiante.
Honra os encargos que te honram e, sobretudo, agradece ao trabalho tudo aquilo que, um dia, possas ter ou ser de melhor, porquanto é no trabalho do bem aos semelhantes que terás, em qualquer tempo, o teu mais seguro endereço para o socorro de Deus”.
(Emmanuel, médium Chico Xavier – em, Confia e Segue)
segunda-feira, 4 de março de 2013
O Aprendiz do Silêncio
Por: Gregorio Lucio
O APRENDIZ DO SILÊNCIO
Senhor da Vida,
No íntimo do meu coração,
Rogo-Te o valioso aprendizado
Que coroa as Almas Nobres
E os Espíritos Lúcidos.
O silêncio.
Calo os meus lábios
Para que eu perceba meus pensamentos.
Para vivenciar a inquietude,
E terminar sereno.
Silencio minhas palavras
Para ouvir o vento.
Para observar as árvores.
Para entregar-me, atento, às ondas.
Enquanto diluem-se as preocupações.
Emudeço os meus comentários,
Na intenção de compreender
Quais os meus sentimentos.
Para onde eles me levam?
O que causam em mim?
Omito o meu falar
Refletindo o sentido daquilo que vivo.
Colhendo, no silêncio, os Lírios do que aprendo
Deixando vir o sorriso espontâneo
Ou a lágrima que dá alívio.
É cada vez maior o meu silêncio.
E, cada vez mais, minhas mãos trabalham.
Inspiração de Salvador Meirigo
04/03/2013
sábado, 2 de março de 2013
Simbolismo da Cruz
(trecho extraído da obra Umbanda - Essa Desconhecida, autor Roger Feraudy)
Ivan - De onde provém o simbolismo da cruz e quais as razões reais de sua adoção pelos povos primitivos?
Pai Velho: Inicialmente, vamos procurar sua antiguidade histórica para, depois, darmos as razões simbólicas de sentido profundamente oculto.
Encontramos uma de suas primeiras origens na Índia Védica, nos mistérios do fogo sagrado instituído por Rama. O culto de Agni, nos antigos mistérios, é a manifestação da divindade do plano material - Deus Imanente.
O fogo sagrado era produzido, entre os primitivos povos védicos, por dois madeiros cruzados que, pelo atrito de um sobre o outro, produziam a primeira chama. Nessa operação, meu filho, existe um mundo de simbolismo e conhecimento oculto. Por um lado, no seu aspecto transcendente, é Agni o Sol, que é o salvador dos homens das trevas da noite, dando-lhes com seus raios o calor necessário à vida. Esotericamente, também, dissipa as trevas da noite da ignorância. No seu aspecto imanente, terreno, Agni é o Salvador e o Libertador, pois seus raios trazem a claridade, o calor e a luz. O fogo e o sol são fonte de luz, de calor e de vida. Ambos dissipam as trevas. Assim, o homem adora a luz como verdadeiro Deus, sendo que no mundo astronômico, transcendental, a sua personificação é o sol e no mundo físico, da matéria, no seu aspecto imanente, a sua personificação é a cruz.
Daí, "zi-Ivan", ser a cruz sagrada, pois é por meio dela que se manifesta no universo visível o Deus transcendente. Simbolicamente, é a primeira crucificação da deidade, por meio do sacrifício. Porque, manifestando-se, sacrifica-se a si mesmo na cruz da sua renúncia cósmica. É o sacrifício cósmico da libertação, um sacrifício por amor que, ao mesmo tempo, é redenção e salvação. É a salvação no sentido de estar presente na humanidade inteira e na menor partícula do Cosmo manifestado. Tal é o sentido do crucificado, onde, atado ao madeiro, o leito duro da provação, o iniciado sofre a morte de suas paixões carnais e, depois, esse mesmo madeiro de suas paixões torna-se a "árvore da vida nova", de onde renasce como iluminado.
Por isso, a primeira chama, a primeira fagulha do fogo sagrado entre os Vedas era chamado de "o menino". É o divino salvador, Agni. E é por isso que José, pai de Jesus, portanto, pai de Deus, é chamado o carpinteiro - aquele que faz a madeira para ser atritada e dar nascimento ao fogo sagrado. Analogamente, o pai do fogo, o pai do Deus Agni.
Poderíamos, graficamente, representar dessa forma o simbolismo do fogo e da luz:
DEUS - LUZ - CRUZ
De outra forma, meu filho, podemos ainda citar, a título de conhecimento histórico, um fato bastante interessante: quando os jesuítas chegaram ao Brasil, encontraram a cruz sendo adorada por todos os povos tupis-guaranis. Os aborígenes brasileiros davam à cruz o nome de "curuçá" e adoravam-na como símbolo do poder criador, o fogo sagrado.
No idioma "nhengatu", "curu" significava "fragmento de pau" e "ça", "gritar ou produzir som estridente". O mesmo som do fogo crepitante da madeira. O simbolismo, meu filho, e evidente por si só e nos dá perfeita correlação com o simbolismo pré-védico.
Sob o ponto de vista oculto, a cruz simboliza os quatro pontos cardeais, ou, ainda, os quatro estágios da passagem do homem pela matéria: nascimento, vida, morte e imortalidade (iniciação).
Chegamos, agora, ao ponto alto do simbolismo hermético e, para poder esclarecê-lo, vamos verificar qual era a técnica primitiva das cerimônias sagradas desses povos para se produzir o divino salvador Agni.
Entre os dois madeiros para se friccionar havia, no centro, uma cavidade, na qual era introduzido um cone que, posto em rápido movimento circular com uma tira de couro, produzia a chispa que se tornaria em fogo sagrado. O cone introduzido na cavidade é, assim, o Pai que dá origem ao fogo. Porém, não o verdadeiro Pai, mas o pai putativo do deus que irá nascer. Daí, alegoricamente, ser São José o pai putativo de Jesus, e não o verdadeiro pai. Perfeitamente igual ao sacerdote do fogo sagrado, pai putativo de Agni.
Porém, para se avivar a chama de conservá-la inicialmente como poder e vida, soprava-se a chama nascente. É o sopro da vida a que se refere a Gênese no seu capítulo II.
O simbolismo se completa. A cruz é a mãe; o cone que penetra o orifício central, é o pai, não porém o verdadeiro, mas o pai putativo e, assim sendo, a mãe continua virgem porque não é o verdadeiro pai que nela penetra; o sopro ou o vento que aviva a chama é o Espírito Santo, aquele que dá a vida e, finalmente, a chama é o Filho de Deus Pai. Estamos de posse de todos os elementos que vão compôr a palavra sagrada Aumpram: Pai, Espírito Santo, Mãe e Filho.
No sânscrito, encontramos, ainda, maiores simbolos ocultos. Assim, a palavra "puttra" (filho), associada a "punya" (belo, puro), origina filologicamente a palavra "filho purificador" - Agni. Ora, Put é um dos infernos da mitologia indiana e o sufixo "tra" empresta à palavra "puttra" o sentido de libertação. Assim, literalmente, "puttra" é "libertador do inferno put".
Como verificamos anteriormente, a cruz era usada nos mistérios da Iniciação, onde o neófito colocado deitado, com os braços abertos em cruz para, então, renascer de novo para a vida espiritual. A analogia é clara. O candidato à Iniciação, deitado sobre a cruz, identifica-se com a divindade e é salvo do inferno de suas paixões, vence a matéria e o egoísmo da personalidade separatista. Nasce para uma nova vida, a vida do Espírito. Renasce salvo do inferno da dúvida, da incompreensão e da ignorância que o mantém prisioneiro da ilusão dos sentidos. É um novo renascimento. Puttra o salva de Put. É o símbolo sagrado da Iniciação. E é um renascimento virginal, pois ele nasce de uma mãe virgem e de um Pai Divino, é um Filho de Deus.
Daí se origina, sem dúvida, "zi-Ivan", o mistério da paixão de Jesus Crucificado, a paixão verdadeira do Getsêmani, em que o homem que atinge o grau de Adepto ou Mestre está completamente só, totalmente desamparado na matéria. É uma solitude impressionante e absoluta, que só aqueles que atravessam essa fase podem entender completamente. Aí está o verdadeiro sentido da paixão, do sacrifício, do sofrimento e da morte da matéria. Depois de morta a matéria, depois de morta a personalidade, o homem renasce ou ressuscita no homem verdadeiro, o homem real, o Iniciado, o Mestre que já não é mais um ser, um "eu" individual, mas um ser Uno com o Divino Senhor do Universo".
Ivan - De onde provém o simbolismo da cruz e quais as razões reais de sua adoção pelos povos primitivos?Pai Velho: Inicialmente, vamos procurar sua antiguidade histórica para, depois, darmos as razões simbólicas de sentido profundamente oculto.
Encontramos uma de suas primeiras origens na Índia Védica, nos mistérios do fogo sagrado instituído por Rama. O culto de Agni, nos antigos mistérios, é a manifestação da divindade do plano material - Deus Imanente.
O fogo sagrado era produzido, entre os primitivos povos védicos, por dois madeiros cruzados que, pelo atrito de um sobre o outro, produziam a primeira chama. Nessa operação, meu filho, existe um mundo de simbolismo e conhecimento oculto. Por um lado, no seu aspecto transcendente, é Agni o Sol, que é o salvador dos homens das trevas da noite, dando-lhes com seus raios o calor necessário à vida. Esotericamente, também, dissipa as trevas da noite da ignorância. No seu aspecto imanente, terreno, Agni é o Salvador e o Libertador, pois seus raios trazem a claridade, o calor e a luz. O fogo e o sol são fonte de luz, de calor e de vida. Ambos dissipam as trevas. Assim, o homem adora a luz como verdadeiro Deus, sendo que no mundo astronômico, transcendental, a sua personificação é o sol e no mundo físico, da matéria, no seu aspecto imanente, a sua personificação é a cruz.
Daí, "zi-Ivan", ser a cruz sagrada, pois é por meio dela que se manifesta no universo visível o Deus transcendente. Simbolicamente, é a primeira crucificação da deidade, por meio do sacrifício. Porque, manifestando-se, sacrifica-se a si mesmo na cruz da sua renúncia cósmica. É o sacrifício cósmico da libertação, um sacrifício por amor que, ao mesmo tempo, é redenção e salvação. É a salvação no sentido de estar presente na humanidade inteira e na menor partícula do Cosmo manifestado. Tal é o sentido do crucificado, onde, atado ao madeiro, o leito duro da provação, o iniciado sofre a morte de suas paixões carnais e, depois, esse mesmo madeiro de suas paixões torna-se a "árvore da vida nova", de onde renasce como iluminado.
Por isso, a primeira chama, a primeira fagulha do fogo sagrado entre os Vedas era chamado de "o menino". É o divino salvador, Agni. E é por isso que José, pai de Jesus, portanto, pai de Deus, é chamado o carpinteiro - aquele que faz a madeira para ser atritada e dar nascimento ao fogo sagrado. Analogamente, o pai do fogo, o pai do Deus Agni.
Poderíamos, graficamente, representar dessa forma o simbolismo do fogo e da luz:
DEUS - LUZ - CRUZ
De outra forma, meu filho, podemos ainda citar, a título de conhecimento histórico, um fato bastante interessante: quando os jesuítas chegaram ao Brasil, encontraram a cruz sendo adorada por todos os povos tupis-guaranis. Os aborígenes brasileiros davam à cruz o nome de "curuçá" e adoravam-na como símbolo do poder criador, o fogo sagrado.
No idioma "nhengatu", "curu" significava "fragmento de pau" e "ça", "gritar ou produzir som estridente". O mesmo som do fogo crepitante da madeira. O simbolismo, meu filho, e evidente por si só e nos dá perfeita correlação com o simbolismo pré-védico.
Sob o ponto de vista oculto, a cruz simboliza os quatro pontos cardeais, ou, ainda, os quatro estágios da passagem do homem pela matéria: nascimento, vida, morte e imortalidade (iniciação).
Chegamos, agora, ao ponto alto do simbolismo hermético e, para poder esclarecê-lo, vamos verificar qual era a técnica primitiva das cerimônias sagradas desses povos para se produzir o divino salvador Agni.Entre os dois madeiros para se friccionar havia, no centro, uma cavidade, na qual era introduzido um cone que, posto em rápido movimento circular com uma tira de couro, produzia a chispa que se tornaria em fogo sagrado. O cone introduzido na cavidade é, assim, o Pai que dá origem ao fogo. Porém, não o verdadeiro Pai, mas o pai putativo do deus que irá nascer. Daí, alegoricamente, ser São José o pai putativo de Jesus, e não o verdadeiro pai. Perfeitamente igual ao sacerdote do fogo sagrado, pai putativo de Agni.
Porém, para se avivar a chama de conservá-la inicialmente como poder e vida, soprava-se a chama nascente. É o sopro da vida a que se refere a Gênese no seu capítulo II.
O simbolismo se completa. A cruz é a mãe; o cone que penetra o orifício central, é o pai, não porém o verdadeiro, mas o pai putativo e, assim sendo, a mãe continua virgem porque não é o verdadeiro pai que nela penetra; o sopro ou o vento que aviva a chama é o Espírito Santo, aquele que dá a vida e, finalmente, a chama é o Filho de Deus Pai. Estamos de posse de todos os elementos que vão compôr a palavra sagrada Aumpram: Pai, Espírito Santo, Mãe e Filho.
No sânscrito, encontramos, ainda, maiores simbolos ocultos. Assim, a palavra "puttra" (filho), associada a "punya" (belo, puro), origina filologicamente a palavra "filho purificador" - Agni. Ora, Put é um dos infernos da mitologia indiana e o sufixo "tra" empresta à palavra "puttra" o sentido de libertação. Assim, literalmente, "puttra" é "libertador do inferno put".
Como verificamos anteriormente, a cruz era usada nos mistérios da Iniciação, onde o neófito colocado deitado, com os braços abertos em cruz para, então, renascer de novo para a vida espiritual. A analogia é clara. O candidato à Iniciação, deitado sobre a cruz, identifica-se com a divindade e é salvo do inferno de suas paixões, vence a matéria e o egoísmo da personalidade separatista. Nasce para uma nova vida, a vida do Espírito. Renasce salvo do inferno da dúvida, da incompreensão e da ignorância que o mantém prisioneiro da ilusão dos sentidos. É um novo renascimento. Puttra o salva de Put. É o símbolo sagrado da Iniciação. E é um renascimento virginal, pois ele nasce de uma mãe virgem e de um Pai Divino, é um Filho de Deus.
Daí se origina, sem dúvida, "zi-Ivan", o mistério da paixão de Jesus Crucificado, a paixão verdadeira do Getsêmani, em que o homem que atinge o grau de Adepto ou Mestre está completamente só, totalmente desamparado na matéria. É uma solitude impressionante e absoluta, que só aqueles que atravessam essa fase podem entender completamente. Aí está o verdadeiro sentido da paixão, do sacrifício, do sofrimento e da morte da matéria. Depois de morta a matéria, depois de morta a personalidade, o homem renasce ou ressuscita no homem verdadeiro, o homem real, o Iniciado, o Mestre que já não é mais um ser, um "eu" individual, mas um ser Uno com o Divino Senhor do Universo".
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