domingo, 24 de fevereiro de 2013

A Necessidade do Estudo para adquirir a Educação Espiritual

Por: Gregorio Lucio

Por que alguns me perguntam, então exponho, brevemente, minha visão em torno da necessidade do Estudo para que se possa adquirir Educação Espiritual.

Primeiro, lembremos São Paulo (ou apóstolo Paulo, como queiram), quando este escreve, em sua primeira epístola aos Coríntios (12:1):

"Ora, a respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes".

Sendo assim, o Estudo a respeito da Mediunidade e demais questões pertinentes às experiências espirituais, aliado ao Estudo e entendimento das lições do Evangelho de Jesus, aplicadas às nossas vidas, permitem que sejamos capazes de Educar as expressões dos nossos pensamentos, sentimentos e de nossas irradiações mentais.

Pelo Estudo, passamos a entender as leis e os mecanismos que nos colocam dentro de todo um oceano de forças sutis que se agitam dentro de nós mesmos e que estas mesmas forças também irradiam-se de todos os seres existentes no planeta, ligando-nos, pela sintonia e afinidade, às idéias, pensamentos e motivações dos mais diversos tipos. Esta afinidade se estabelece positivamente, assim como negativamente, a depender daquilo que guardamos dentro de nosso mundo íntimo e daquilo que escolhemos pensar, sentir e expressar, tanto pelas palavras quanto pelas nossas atitudes.

Se, em conjunto com o Estudo dos Processos Mediúnicos, também associamos o Estudo do Evangelho do Cristo, poderemos encontrar nele (no Evangelho) o norteador da nossa conduta, pois passaremos a discernir melhor o bem e o mal, e quais os comportamentos que devemos adotar para que possamos amadurecer perante a vida, deixando determinadas condutas, nas quais nos prendemos ao longo do tempo, abrindo-nos para a renovação e a libertação de estados de sofrimento.

Pior do que sofrer, é sofrer sem saber o porquê se está sofrendo...

O Estudo equipa de recursos o individuo para que possa compreender a sua própria realidade (psicológica, social, financeira, religiosa, profissional,etc), também como o mundo no qual vive e assim poder ter possibilidades mais amplas de estabelecer programas educativos, saudáveis e felicitadores para a sua existência.

Melhor do que fazer algo, é ter conhecimento suficiente para poder fazer bem aquilo que se proponha a fazer.

Educação Espiritual, portanto, obedece ao mesmo mecanismo da Educação na Terra (que não deixa de ser espiritual, bem se diga).

Pensando assim, se nos lembramos do significado da palavra Educação, veremos que esta origina-se de dois termos latinos, "Educare e Educere". Educare significa orientar, nutrir, decidir externamente, direcionando o indivíduo a se transferir, de um determinado ponto em que encontra-se até outro ponto onde se deseja chegar. Educere, por sua vez, implica num movimento interior, fazendo surgir do intimo do indivíduo as potencialidades que estão dentro de si e que até então permaneciam desconhecidas.

Por isso, a conquista da Educação Espiritual, segundo nosso ponto de vista, só pode ocorrer quando entramos em contato com o meio em que vivemos, trocamos experiências com o outro e somos, por isso, levados a mudar nossas concepções e comportamentos diante da vida. Ao mesmo tempo, ao adquirirmos elementos para avaliar nossa própria realidade interior, por meio da leitura e do diálogo, saberemos situar melhor nossos pensamentos, nossas emoções e assim, voltando à questão mediúnica, saberemos com certeza onde situamos nossa sintonia e nossas irradiações espirituais.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Chacras, Espiritualidade e Mediunidade

Chacra é a denominação sânscrita dada aos centros de força existentes nos corpos espirituais do homem; também são chamados lótus ou rodas.

Quando eles estão inativos assemelham-se a rodas; quando despertam, eles tomam a aparência de uma flor (lótus) aberta, irradiante, colorida pela freqüência da energia das pétalas.

CHACRAS MAIORES - Os chacras maiores são em número de sete:

Denominação:

1. Centro básico ou fundamental (relacionado a base da coluna, no cóccix)
2. Centro sacro ou sexual (
 ou genésico, relacionado aos órgãos genitais)
3. Centro solar ou umbilical (relacionado ao gástrico)
4. Centro cardíaco (relacionado ao coração)
5. Centro laríngeo (relacionado a região da garganta)
6. Centro frontal ou cerebral (relacionado a região da fronte, entre os dois olhos)
7. Centro coronário (alto da cabeça, a chamada coroa)


*Fora esses, há dois chacras conhecidos, mas que fogem do conhecimento Hindú, são:
- Centro esplênico (relacionado ao baço)
- Centro umeral (relacionado a região dorsal, as costas)

LOCALIZAÇÃO DOS CHACRAS

Os centros se acham situados nos vários corpos espirituais. Temos, assim, centros etéricos, astrais, etc. Leadbeater faz sempre referência aos etéricos, mencionando, no entanto, os astrais (op.
cit., cap. IV). Satyananda estuda-os no corpo astral, do mesmo modo que o espírito André Luiz. Estas diferenças devem ser levadas em conta, porque uns são construídos com matéria etérica e outros com matéria astral, etc..

Os chakras etéricos estão situados na superfície do duplo etérico (a cerca de seis milímetros da superfície do corpo físico). Os centros astrais estão geralmente situados no interior do corpo astral (Powell e Leadbeater).

Os chakras etéricos transferem para o físico as quantidades inerentes aos chakras astrais. Por outro lado, determinados fatos físicos repercutem pelos chakras etéricos até os chakras astrais, alterando-os, de modo que, numa próxima encarnação, esta alteração se expressará em forma de desequilíbrio ou enfermidade. As viciações mentais provocam também graves alterações nos centros de força.

INFLUENCIAÇÃO RECÍPROCA DOS CHACRAS - Destaca Pierre Weil que os chakras não estão isolados uns dos outros; eles mantêm uma influenciação recíproca.

CENTROS DE CONSCIÊNCIA - Os chakras não são simples centros energéticos, mas também centros de consciência. A esse respeito, esclarece Anagarika Govinda: "Enquanto que, de acordo com as concepções ocidentais, o cérebro é a sede exclusiva da consciência, a experiência yogue mostra que nossa consciência cerebral é apenas "uma" entre muitas formas possíveis de consciência, e que esta, de acordo com suas funções e natureza, pode ser localizada ou centralizada em vários órgãos do corpo. Estes "órgãos" que coletam, transformam e distribuem as forças que fluem através deles são chamados de chakras ou centros de força. Deles irradiam correntes secundárias de força psíquica, comparáveis aos raios de uma roda, às varetas de um guarda-chuva, ou às pétalas de um lótus" (op. cit., p. 145).

Depois de destacar que os chakras são pontos nos quais as forças psíquicas do corpo se interpenetram, situando-se a sede da alma nos pontos em que o mundo exterior e interior se encontram, conclui: "Por isso, podemos dizer que cada centro psíquico nos quais nos tornamos cônscios desta penetração espiritual torna-se a sede da alma, e que pela ativação ou despertar das atividades dos vários centros nós espiritualizamos e transformamos nosso corpo" (idem p. 145/146).

Jung considera-os também centros de consciência: "uma espécie de graduação de consciência que vai desde a região do períneo até o topo da cabeça" (Fundamentos de Psicologia Analítica, Vozes, 1972, p. 26).

CHACRAS E MEDIUNIDADE - A comunicação mediúnica se opera com o auxílio dos chakras, e quanto maior o número de chakras envolvidos na ligação, maior a sua perfeição. Quando esta ligação não se faz como seria de desejar, a comunicação se dará através de comunhão mental, reduzida ao mínimo a influência sobre os centros neuropsíquicos. André Luiz destaca a atuação a atuação dos centros na comunicação mediúnica, em se referindo, no livro No Mundo Maior (FEB), à mediunidade de Eulália, médium em desenvolvimento: “No entanto, o nosso antigo médico não encontra em sua organização psicofísica elementos afins perfeitos: nossa colaboração não se liga a ele através de todos os seus centros perispirituais; não é capaz de elevar-se à mesma freqüência de vibração em que se acha o comunicante; não possui suficiente "espaço interior" para comungar-lhe as idéias e os conhecimentos; não lhe absorve o entusiasmo total pela Ciência, por ainda não trazer de outras existências, nem haver construído, na experiência atual, as necessárias teclas evolucionárias, que só o trabalho sentido e vivido lhe pode conferir.” (palavras do espírito Calderaro).

OS CHACRAS TORNARAM-SE CONHECIDOS PELA CLARIVIDÊNCIA - As visões são sempre filtradas através do vidente, e cada vidente, além do seu ângulo personalíssimo de "ver", de conceber o mundo, é também o produto de uma determinada cultura e de seu determinado momento histórico. O que se vê objetivamente passa pelo crivo da subjetividade do vidente. Acrescente-se a isto a interpretação do objeto, isto é, da visão, exatamente a parte mais difícil, porque aí se torna necessário distinguir fatos observados e projeções mentais de encarnados ou desencarnados captáveis pelo médium.

CHACRA BÁSICO - é responsável pela força e vida das glândulas suprarenais, localizadas na parte superior de cada rim, na altura da primeira vértebra lombar, as quais segregam importantes hormônios: a córtico-suprarenal segrega adosterona, o cortisol e andrógenos; a medula supra-renal segrega a adrenalina.

CHACRA ESPLÊNICO – segundo André Luiz, regula “a distribuição e a circulação adequada dos recursos vitais em todos os escaninhos do veículo de que nos servimos [...]” (Entre a Terra e o Céu, p. 128), “[...] determinando todas as atividades em que se exprime o sistema hemático, dentro das variações de meio e volume sanguíneo” (Evolução em Dois Mundos, p. 27).

CHACRA SACRO (GENÉSICO) - Segundo Coquet, “sua função é a conversação da vitalidade que anima e sustenta o corpo físico, com os diferentes órgãos de assimilação. Este centro afeta, sobretudo, os órgãos genitais ou gônadas, que são a exteriorização física” (op. cit., p. 67). André Luiz destaca o fato de que o descontrole do centro genésico impede o espírito de uma visão mais ampla da realidade, mesmo em prejuízo da própria pessoa que só enxerga o parceiro sexual, “em vista do apego enlouquecedor aos vínculos do sexo”. (Entre a Terra e o Céu, p.27), perturbações estas que acabam por eclipsar as qualidades morais já conquistadas.

CHACRA SOLAR (GÁSTRICO) - Este centro se “responsabiliza pela penetração de alimentos e fluidos em nossa organização.” (André Luiz, op. cit., p. 120.; Evolução em Dois Mundos, p. 27).

CHACRA CARDÍACO - André Luiz indica-o como centro da emoção e do equilíbrio geral (Entre a Terra e o Céu, p. 128), dirigindo a circulação das forças de base (Evolução em dois Mundos, p. 27).

CHACRA LARÍNGEO - tem a função de purificar o corpo, eliminando os venenos provenientes do exterior. A glândula tireóide, que corresponde ao centro laríngeo, tem uma função antitóxica. Além disto, a consciência criadora reside neste centro. É, segundo Aurobindo, “a mente física, a consciência externalizadora expressiva” (op. cit., p. 203). O centro laríngeo é o responsável pela recepção das ondas telepáticas. Dali são transmitidas a outros centros.

CHACRA UMERAL - atua nas relações que se estabelecem entre nos encarnados e o auxílio do Plano Espiritual. Quando este centro, está bloqueado, sentimos aquele peso nas costas, aquela sensação de estarmos carregando o mundo. Daí importância do auto cuidado; como utilização das preces, banhos de ervas, aplicação de Passes.

CHACRA FRONTAL - sua principal função estaria em desenvolver, no homem, uma verdadeira personalidade, um “ser interior”, resultado das encarnações anteriores e de milhares de experiências. Conhecido como ”O centro cerebral”, ensina André Luiz, “se representa no córtex encefálico por vários núcleos de comando, controlando sensações e impressões do mundo sensório.” (Evolução em dois Mundos, FEB, p. 99; vide também p.125). É também o chacra responsável pela mediunidade de clarividência.

CHACRA CORONÁRIO - A aura colocada sobre a cabeça dos santos corresponde a luminosidade irradiada deste centro de iluminação. É o mais luminoso dos chacras. Leadbeater descreve-o como possuidor de indescritíveis efeitos cromáticos, parecendo conter todos os matizes do espectro, embora seja o violeta a cor predominante; a parte central é de um branco fulgurante com um núcleo cor de ouro. Não está relacionado com nenhum plexo e sim com a glândula pineal. André Luiz assinala como sua função, a assimilação dos estímulos do Mundo Espiritual Superior, a orientação da forma, do movimento e da estabilidade do metabolismo orgânico e da vida consciencial dos espíritos encarnados ou desencarnados, supervisionando, além disso, os outros centros que lhe obedecem ao impulso, procedente do espírito, porque ali se encontra exatamente o ponto de interação entre as forças determinantes do espírito e as forças fisiopsicossomáticas organizadas (conf. Evolução em dois Mundos,
p.p. 26127).

Em relação com as faculdades paranormais, podemos relacionar os Chacras da seguinte forma:

CHACRA BÁSICO – confere comando sobre a energia da matéria, a levitação e a telecinesia (movimentar objetos a distância), a exteriorização de ectoplasma (para fenômenos de materialização), assim como vidências sobre o passado e o futuro;

CHACRA SACRO – comanda as expressões da mente no domínio da energia sutil da água. Também tem papel e influência nos fenômenos de efeitos físicos (materialização, levitação, telecinesia, etc);

CHACRA SOLAR – comanda as expressões da mente no que se refere ao comando das sensações do corpo. Diminuição até a perda da sensibilidade corporal, no estado de transe, possibilitando que o sensitivo adote posturas fixas e incomuns ao seu habitual por longo período de tempo (como yogues que ficam anos com as mãos para o alto, médiuns que atuam curvados por horas a fio, etc).

CHACRA CARDÍACO – possibilita conhecer o pensamento, a intenção e o sentimento do outro. Também relaciona-se com a faculdade de projeção da consciência que faculta o conhecimento de fatos e ocorrências além do tempo e do espaço.

CHACRA UMERAL – possibilita o enlace espiritual por parte de entidades espirituais especificamente para fenômenos de psicografia, pictografia e operações espirituais nos trabalhos de cura (que envolvam ou não incisão)

CHACRA LARÍNGEO – relaciona-se a possibilidade da comunicação espiritual pela voz, além da mediunidade de clariaudiência e a recepção de transmissões telepáticas de encarnados e desencarnados. Desenvolve a memória psíquica e espiritual, além da faculdade da profecia.

CHACRA FRONTAL – relaciona-se com a vidência e, especificamente, a clarividência. É a janela aberta para o mundo espiritual e suas diversas manifestações (desde a percepção de cores, luminescências e quadros mentais, até a visão detalhada de seres espirituais, paisagens e cenários do Além). Sua ativação e comando conscientes significa um dos últimos estágios de desenvolvimento espiritual factível de ser alcançado por um ser humano.

CHACRA CORONÁRIO – além de ser o canal de ligação entre o espírito e a Luz Divina, a sua ativação e comando conscientes confere ao indivíduo a totalidade de todas as outras faculdades já relatadas. Confere ao Ser a compreensão integral da realidade existencial e, por consequência, faculta que este deixe o corpo material sob a mais absoluta consciência. Evidentemente, raríssimos seres que já encarnaram nesse planeta, foram capazes de consegui-lo.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Rancor

(Capítulo da obra “Vitória sobre a Depressão” – pelo Espírito Joanna De Ângelis, médium Divaldo Franco).

“Essa aversão profunda, consciente ou não, que alguém experimenta contra outrem, é filha espúria do orgulho, esse dileto companheiro do egoísmo, que não admite ser desconsiderado ou sequer enfrentado nas mesmas condições.

O rancor é enfermidade moral que assinala muitos seres humanos, mantendo-os em estágio de inferioridade na escala da evolução.

Apresenta-se, inesperadamente, e tende a crescer, quando não combatido de imediato, atormentando aquele que lhe padece a férrea constrição moral, com sede de desforço, de reabilitação.

Muitas vezes, aquele que o experimenta nem sequer teria qualquer motivo para manter a animosidade profunda em relação a outrem que mal conhece ou de cujo convívio se afastou num momento de cólera e de ressentimento.

Não havendo uma explicação lógica para a sua presença ma emoção, em face da falta de motivo que o justifique, ei-lo que procede de existência transata, na qual enfrentaram-se os litigantes que ora se reencontram.

Os Soberbos Códigos estabelecem como impositivo básico da evolução a convivência fraternal e enriquecedora entre os seres humanos, ampliando os instintos gregários, através da qual desenvolvem-se os tesouros da amizade e do amor, da bondade e do socorro recíproco. Nada obstante, enquanto predominam as heranças do primarismo, o ego exige consideração imerecida, auto-considerando-se irretocável, elegendo uma postura falsa para reinar. 


Qualquer ocorrência menos feliz, algum acontecimento desagradável que o atinge, são suficientes para dar curso ao sentimento de rancor, que se transfere de uma para outra existência com a férvida paixão destrutiva em relação a quem passa a considerar como seu antagonista.

Reencontrando-o, reaviva-se-lhe no inconsciente profundo o acontecimento infeliz, nem sempre lúcido, ensejando-lhe a antipatia que se converte em aversão e termina como rancor.

Todos os fenômenos dessa natureza obedecem à programação divina, para que haja a recuperação do equivocado, a fim de que sejam anulados os ressentimentos através da convivência jovial, que apaga as mágoas mantidas.

Para que tal aconteça, no entanto, é indispensável que seu opositor, aquele que experimenta o sentimento de rancor, faculte-lhe o relacionamento, ao invés de evitá-lo, assim transferindo-o para o futuro, numa situação menos favorável.

O egoísmo, no entanto, sempre labora em favor da própria insensatez, exigindo reconhecimento do seu valor ilusório, e quando isso pode ocorrer, fecha-se num comportamento doblez, que impede a liberação do rancor.

O orgulho humano é mácula que desmerece a beleza do diamente espiritual que se é.

Compreendesse, o viajor terrestre, conscientemente, o significado da reencarnação e das excelentes concessões que lhe oferece, com facilidade enriquecer-se-ia de bençãos nos relacionamentos, trabalhando para a felicidade própria e geral.

Se alguém te inspira esse sentimento perverso e escuso, evita aprofundar-lhe as causas desconhecidas.

Sendo resultado de algum acontecimento atual que te amargura, concede-lhe o direito de ser feliz e de ter errado, não acumulando os tóxicos do ódio nas tuas delicadas engrenagens mentais.

Se não consegues identificar razões para a presença desse morbo que te enferma, abre o coração ao outro que, possivelmente, também experimenta algo muito complexo no seu mundo interior e necessita liberá-lo.

Não sejas aquele que se transforma em obstáculo ao Bem, criando situações embaraçosas que se convertem em amargura noutrem.

Abre o coração à fraternidade, e compreenderás como é possível diluir os vapores venenosos do rancor ao sol da compaixão.

Todos se equivocam, erram propositalmente ou não. Passada, porém, a ocasião, caem em si, dão-se conta do que cometeram e anelam pelo ensejo da reabilitação.

Ninguém passa incólume pelo mundo terrestre sem a dádiva do sofrimento – erro e acerto – inevitável para a conquista do conhecimento.

O programa da evolução é constituído por páginas desafiadoras para todos os níveis morais do Espírito em crescimento para Deus.

Aquele, porém, que opta para ser acusador do outro, como se fosse um raio de luz inatingível, conduz, além da soberba, o auto-desconhecimento que o mantém na ignorância das Leis de Deus.

Quando alguém prefere manter o rancor em relação ao próximo, desafia o Criador, que procura desconhecer, olvidando-se de que todos são Seus filhos, portanto irmãos em diferentes níveis de consciência.

Quem não é possuidor de sentimento de compaixão para com aquele que delinquiu, que tombou na senda de espinhos, não é credor de misericórdia nem de auxílio, apesar das necessidades que o dominem.

O antídoto, portanto, do rancor, é o perdão, gentil e nobre, que une as criaturas como verdadeiras irmãs que se auxiliam pela senda libertadora.

Assim sendo, não guardes ressentimento de ninguém, de nada, evitando tornar-se responsável por esse feroz inimigo agasalhando-se em outrem.

A vida imortal expressa-se pelo berço e pelo túmulo, que transforma em portas de acesso ao corpo, entrando e saindo, sem que haja qualquer alteração na sua gloriosa estrutura.

Vive, de tal forma que, ao atravessares a aduana tumular, possas despertar sem os espessos véus da ignorância obnubilando-te o discernimento ou a mente torturada pela implacável lâmina do rancor.

Amando integralmente toda a humanidade, Jesus distendeu a mensagem de esperança e de paz em favor de todos. Traído, vendido, negado por alguns dos Seus amigos, levado ao martírio da cruz, após as dilacerações ignominiosas do suplício, manteve-se afável e terno em relação a todos, incluindo aqueles que se Lhe fizeram inimigos implacáveis, mas que não conseguiram submetê-Lo.

Reflexiona bastante sobre isso, e nunca permitas no coração e na emoção a presença do vírus deletério do rancor”.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Faixas

Comunicação espiritual não é privilégio da organização mediúnica.

O pensamento é idioma universal e, compreendendo-se que o cérebro ativo é um centro de ondas em movimento constante, estamos sempre em correspondência com o objeto que nos prende a atenção.

Todo Espírito, na condição evolutiva em que nos encontramos, é governado essencialmente por três fatores específicos, ou, mais propriamente, a experiência, o estímulo e a inspiração.

A experiência é o conjunto de nossos próprios pensamentos.

O estímulo é a circunstância que nos impele a pensar.

A inspiração é a equipe dos pensamentos alheios que aceitamos ou procuramos.

Tanto quanto te vês compelido, diariamente, a entrar na faixa das necessidades do corpo físico, pensando, por exemplo, na alimentação e na higiene, és convidado incessantemente a entrar na faixa das requisições espirituais que te cercam.

Um livro, uma página, uma sentença, uma palestra, uma visita, uma notícia, uma distração ou qualquer pequenino acontecimento que te parece sem importância, pode representar silenciosa tomada de ligação para determinado tipo de interesse ou de assunto.

Geralmente, toda criatura que ainda não traçou caminho de sublimação moral a si mesma assemelha-se ao viajante entregue, no mar, ao sabor das ondas.

Receberás, portanto, variados apelos, nascidos no campo mental de todas as inteligências encarnadas e desencarnadas que se afinam contigo, tentando influenciar-te, através das ondas inúmeras em que se revela a gama infinita dos pensamentos da Humanidade, mas, se buscas o Cristo, não ignoras em que altura lhe brilha a faixa.

Com a bússola do Evangelho, sabemos perfeitamente onde se localizam o bem e o mal, razão por que, dispondo todos nós do leme da vontade, o problema de sintonia corre por nossa conta.

(Emmnuel/Chico Xavier - Seara dos Médiuns)

Espíritos da Luz

Parafraseando a luminosa definição do apóstolo Paulo, em torno da caridade, no capítulo treze da primeira epístola aos coríntios, ousaremos aplicar os mesmos conceitos aos Espíritos benevolentes e sábios que nos tutelam a evolução.

Ainda que falássemos a linguagem das trevas e não possuíssemos leve raio de entendimento, - não passaríamos para eles de pobres irmãos necessitados de luz.

Ainda que nos demorássemos na vocação do crime, caindo em todas as faltas e retendo todos vícios, a ponto de arrojar-nos, por tempo indeterminado, nos últimos despenhadeiros do mal, para nosso próprio infortúnio, - não seríamos para eles senão criaturas infelizes, carecentes de amor.

Ainda que dissipássemos todas as nossas forças no terreno da culpa e dedicássemos a vida ao exercício da crueldade, sem a mínima noção do próprio dever, - isso seria para eles tão-somente motivo a maior compaixão.

Os Espíritos da Luz são pacientes.
Em todas as manifestações são benignos.
Não invejam.
Não se orgulham.
Não mostram leviandade.
Não se ensoberbecem.
Não se portam de maneira inconveniente.
Não se irritam.
Não são interesseiros.
Não guardam desconfiança.
Não folgam com a injustiça, mas rejubilam-se com a verdade.
Tudo suportam.
Tudo creem.
Tudo esperam.
Tudo sofrem.

A caridade deles nunca falha, enquanto que para nós, um dia, as revelações gradativas terão fim, os fenômenos cessarão e as provas terminarão, por desnecessárias.

Por agora, de nós mesmos, conhecemos em parte e em parte imaginamos; entretanto, eles, os emissários do Eterno Bem, acompanham-nos com devotamento perfeito, quase sempre ainda somos crianças, falamos como crianças, pensamos quais crianças e ajuizamos infantilmente.

Estão certos, porém, de que mais tarde, quando nos despojarmos das deficiências humanas, abandonaremos, então, tudo o que vem a ser pueril.

Verificaremos, assim, a grandeza deles, como a víssemos retratada em espelho, confrontando a estreiteza de nosso egoísmo com a imensurabilidade do amor com que nos assistem.

Conforte-nos, pois, reconhecer que, se ainda demonstramos fé vacilante, esperança imperfeita e caridade caprichosa, temos, junto de nós, a caridade dos mensageiros do Senhor, que é sempre maior, por não esmorecer em tempo algum.

(Emmanuel / Chico Xavier - Seara dos Médiuns)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Mediunidade e Doentes

No que se refere aos doentes, os cientistas ateus apenas enxergam o corpo na alma e os religiosos extremistas apenas enxergam a alma no corpo; as inteligências sensatas, porém, observam uma e outro, conjugando bondade e medicação nos processos de cura. 

Os cientistas ateus, ao modo de técnicos puros, quase sempre entregam exclusivamente ao laboratório toda a orientação terapêutica, interpretando a moléstia como sendo mero caso orgânico de curso previsto, qual se o corpo fosse aparelho frio, de comportamento pré-calculado, esquecendo-se de que os corpúsculos brancos do sangue fabricam antitoxinas sem haverem frequentado qualquer aula de química.

Os religiosos extremistas, à feição de místicos intransigentes, quase sempre entregam exclusivamente à oração todo o trabalho socorrista, interpretando a moléstia como sendo simples ato expiatório da criatura, qual se a alma fosse entidade onipotente na própria defensiva, olvidando que os vírus não interrompem o assalto infeccioso diante dessa ou daquela preleção de moral.

As inteligências sensatas, no entanto, percebem que o corpo se move à custa da alma, sabendo, porém, que a alma, no plano físico, precisa do corpo para manifestar-se, embora reconheçam que toda reação substancial procede do interior para o exterior, razão pela qual, em todos os tratamentos, como ação supletiva, será lícito recorrer às forças inesgotáveis do espírito.

Na mediunidade curativa, portanto, suprime a enfermidade, quanto possível, com o amparo da medicina criteriosa, mas unge-te de amor para socorrer o doente.

A solidariedade ergue o índice da confiança e a confiança mobiliza instintivamente os recursos da Natureza.

Pronuncia a prece que reconforte a estende o passe magnético que restaure, como se fossem pedaços de teu próprio coração em forma de auxílio.

Sobretudo, não envenenes o ânimo de quem sofre.

Ainda mesmo diante dos criminosos e viciados que a doença arruína, levanta a voz e alonga os braços, sem qualquer nota de azedia ou censura, recordando que possivelmente estaríamos nós no lugar deles se tivéssemos padecido as provas e tentações nas quais sucumbiram, agoniados.

Seja quem for o doente do qual te aproximes, compadece-te quantas vezes se fizerem necessárias, entendendo que é preciso aprender a ajudar o necessitado, de maneira que o necessitado aprenda a ajudar a si mesmo.

Somente assim descobrirás, tanto em ti quanto nos outros, o surpreendente poder curativo que dimana, ilimitado e constante, do amor de Deus.

(Emmanuel/Chico Xavier – Seara dos Médiuns)

Discernimento

“Encarecendo a prática do bem por base da cooperação com os instrutores desencarnados, no campo mediúnico, não será lícito esquecer o imperativo da educação.

Não somente ajudar, mas também discernir.

Não apenas derramar sentimentos como quem faz do peito cofre aberto, atirando preciosidades a esmo, mas articular raciocínios, aprendendo que a cabeça não é simples ornamento do corpo.

Coração e cérebro, sintonizados na criatura, assemelham-se de algum modo ao pêndulo e ao mostrador no relógio. O coração, à maneira do pêndulo, marca as pulsações da vida; entretanto, o cérebro, simbolizando o mostrador, estabelece as indicações. No trabalho em que se conjugam, um não vai sem outro.

Tornemos ao domínio da imagem, para clareza do assunto.

Operário relapso não encontra chefe nobre.

Escrevente inculto não se laureia em provas de competência.

Enfermeiro bisonho complica a assistência médica.

Aluno vadio é problema para o professor.

Na mediunidade, quanto em qualquer outro gênero de serviço, é indispensável que o colaborador se interesse pela melhoria dos próprios conhecimentos, a fim de valorizar o amparo que o valoriza.

Tarefa mediúnica, sustentada através do tempo não brota da personalidade. Exige burilamento, disciplina, renunciação e suor.

A educação confere discernimento. E o discernimento é a luz que nos ensina a fazer bem todo o bem que precisamos fazer [...]”

(Emmanuel / Chico Xavier – Seara dos Médiuns)